O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para acompanhá-lo em viagens à Turquia e às Filipinas na próxima semana. O convite foi feito em um encontro na semana passada e ainda está sob avaliação dos dois parlamentares. A iniciativa ocorre enquanto se aproximam as articulações para as eleições que definirão os comandos das duas Casas do Congresso.
Convites em meio à articulação política
A viagem de Lula prevê compromissos na Turquia nos dias 11 e 12, quando o presidente participará da 31ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP, em Antália. Depois, nos dias 14 e 15, ele irá a Manila, capital das Filipinas, para a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A participação de Motta e Alcolumbre ainda não está confirmada.
O convite é mais um gesto de aproximação de Lula aos presidentes da Câmara e do Senado. A relação com os chefes das duas Casas tem peso nas negociações políticas, especialmente diante da escolha de quem comandará o Legislativo nos próximos dois anos. Câmara e Senado devem decidir essas presidências no começo do próximo ano, segundo as informações divulgadas.
O PT já declarou apoio à recondução de Motta e Alcolumbre. A eleição dos presidentes das Casas, porém, depende da formação de apoio entre os parlamentares. No Senado, o vencedor precisa obter pelo menos 41 dos 80 votos disponíveis. Na Câmara, líderes partidários do Centrão já anunciaram apoio a Motta, antes mesmo do resultado do segundo turno mencionado na reportagem.
Disputa no Senado tem mais incertezas
A perspectiva de reeleição de Motta é descrita como menos sujeita a contratempos. Líderes do Centrão se anteciparam e manifestaram apoio ao deputado paraibano, o que deve facilitar sua busca por um novo mandato à frente da Câmara. O texto de origem não informa o número de partidos ou de parlamentares que aderiram à articulação.
No Senado, o cenário é mais incerto. O PL, apontado como o grande vencedor da eleição para o chamado Salão Azul, avalia lançar um candidato próprio contra Alcolumbre. O partido de Flávio Bolsonaro deverá contar com 28 senadores em 2027. Para vencer, qualquer candidatura precisará reunir ao menos 41 votos, o que torna relevante a negociação com parlamentares de diferentes grupos.
Alcolumbre, por sua vez, busca apoio para tentar permanecer no cargo. A Coluna do Estadão informou que o senador conversa com integrantes do PL e tenta ampliar sua base, em uma articulação descrita como uma tentativa de “negociar o impossível”. A expressão se refere à dificuldade de obter apoio dentro de um partido que considera apresentar um nome próprio para a disputa.
Nova composição do Congresso
A próxima legislatura começará em 2027 e terá mais espaço para deputados e senadores da direita, conforme a notícia. Essa mudança compõe o contexto das negociações para as presidências da Câmara e do Senado. No caso da Câmara, o apoio antecipado de líderes do Centrão a Motta indica uma articulação em curso. No Senado, a possibilidade de uma candidatura do PL adiciona uma disputa ao processo de reeleição de Alcolumbre.
Os convites para as viagens acontecem enquanto os dois presidentes do Congresso avaliam a participação nos compromissos internacionais de Lula e, ao mesmo tempo, mantêm suas próprias articulações políticas. A fonte não informa se a agenda externa terá impacto direto nas negociações nem se Motta ou Alcolumbre já responderam ao presidente.

