O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 6 de novembro, que seu governo combina responsabilidade fiscal e social, em meio à pressão por medidas de ajuste e à reação negativa dos mercados à sua reeleição no fim de outubro. Em discurso no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ele também contestou a forma como a dívida pública brasileira é apresentada e disse que quer tornar o país uma potência menos dependente da China e dos Estados Unidos.
Lula defende política fiscal e social
Durante reunião extraordinária do CNPE, Lula afirmou que a dívida do país “nem é tudo o que aparece” e disse que parte do valor contabilizado como dívida pública não deveria ser incluída nessa categoria. O presidente não detalhou quais componentes considera indevidamente classificados.
“Para alguém falar que a gente não tem responsabilidade fiscal, é preciso ver como a gente pegou esse governo”, declarou. Lula também citou seu histórico nos mandatos anteriores, de 2003 a 2010, quando, segundo ele, o país registrou superávit primário em todos os anos. O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida.
O presidente afirmou que pretende manter a responsabilidade social e disse que os mais pobres não pagarão a conta de um eventual ajuste. A declaração ocorre enquanto o governo recebe cobranças por medidas para conter o crescimento do endividamento e apresenta sinais sobre a condução da política econômica no próximo mandato.
Dívida e reação dos mercados
A dívida pública bruta, indicador acompanhado por economistas para avaliar a capacidade de pagamento do país, avançou mais de 11 pontos percentuais durante o terceiro mandato de Lula e chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O PIB mede o total de bens e serviços produzidos no país. Economistas têm manifestado preocupação com a velocidade de expansão da dívida e defendido o controle de sua trajetória.
Após Lula conquistar um quarto mandato, em uma virada no segundo turno, os juros futuros subiram, o Ibovespa recuou e o dólar se valorizou de forma expressiva ante o real. Os juros futuros são taxas negociadas no mercado para períodos posteriores e refletem as expectativas dos investidores sobre a economia e a política monetária.
Parte dos agentes financeiros preferia a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da oposição, por avaliar que um eventual governo dele teria maior possibilidade de controlar as contas públicas. Durante a campanha, porém, nem o senador nem seus conselheiros econômicos diretos divulgaram detalhes concretos de um plano de ajuste.
Investidores também aguardam informações sobre a equipe econômica do quarto mandato de Lula e indicações sobre a política econômica a partir de janeiro do próximo ano. A incerteza sobre essas definições ocorre enquanto o mercado acompanha a evolução da dívida e as possíveis medidas do governo.
Reuniões e agenda internacional
Na quinta-feira, Lula se reuniu com autoridades e conselheiros no Palácio da Alvorada para discutir a agenda econômica. O presidente pediu que os ministros selecionassem medidas para validação somente depois de sua viagem ao exterior, segundo Durigan.
Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento; Miriam Belchior, da Casa Civil; e Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Também estiveram presentes Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Luciano Coutinho, ex-presidente da instituição; e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.
Lula viajará à Turquia para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antália. Em seguida, irá às Filipinas para a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), prevista para os dias 15 a 17 de novembro.

