Marcopolo (POMO4) cai após frustração com balanço do 3T26


As ações preferenciais da Marcopolo (POMO4) caíam nesta quarta-feira (4), após o balanço do terceiro trimestre de 2026 ficar abaixo das expectativas em diferentes indicadores. Por volta das 11h30, os papéis recuavam 1,40%, a R$ 3,52, enquanto investidores avaliavam a pressão sobre as margens e a falta de sinais claros de recuperação operacional no curto prazo.

A fabricante de ônibus registrou lucro líquido de R$ 187 milhões no período, valor 14% inferior ao consenso do mercado e 43% menor que o apurado um ano antes. As análises de bancos também apontaram fraqueza em receita e rentabilidade, em meio a volumes domésticos reduzidos, custos mais altos e dificuldades em mercados internacionais.

Volumes e custos pressionam resultado

O JPMorgan classificou o trimestre como uma “tempestade perfeita”. Segundo o banco, a combinação de vendas domésticas fracas, ausência de contribuição relevante do programa Caminho da Escola e desempenho majoritariamente negativo das operações no exterior afetou os resultados. Sem entregas expressivas do programa governamental, a companhia também teve menos volume para diluir seus custos fixos — ou seja, para distribuir essas despesas por uma quantidade maior de unidades produzidas.

Outros fatores ampliaram a pressão. Os custos de reestruturação pesaram sobre as contas, enquanto a valorização do real prejudicou as exportações. A alta das matérias-primas acima do esperado também elevou os custos de produção e reduziu as margens, que medem a parcela da receita que permanece após determinadas despesas.

O Bradesco BBI considerou o balanço negativo. Em relatório assinado pelos analistas Daniel Federle e Lucas Marquetti, o banco afirmou que receita, Ebitda e lucro líquido ficaram abaixo das estimativas da instituição, que já eram inferiores ao consenso de mercado. Ebitda é a sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, usado como indicador do desempenho operacional.

Na avaliação do Bradesco BBI, menores volumes, perda de eficiência industrial, valorização do real e inflação de matérias-primas se combinaram para reduzir a rentabilidade. No Brasil, a falta de entregas relevantes de programas governamentais afetou a diluição dos custos fixos. No exterior, Argentina, México e África do Sul continuaram sob condições econômicas adversas.

Bancos veem obstáculos à recuperação

A Marcopolo não identificou sinais consistentes de melhora na Argentina, no México ou na África do Sul. Para a Austrália, a empresa espera desaceleração em 2027. O Bradesco BBI apontou fatores que poderiam diminuir a intensidade da deterioração: a retomada das entregas governamentais, um real mais depreciado e a redução de aproximadamente 80% na produção anual na Argentina, no México e na África do Sul.

Essa queda de produção pode limitar novas pressões nesses mercados, mas, segundo o banco, não há catalisadores claros para uma recuperação dos resultados no curto prazo. A avaliação reforça a preocupação de investidores sobre a natureza da rentabilidade registrada pela Marcopolo nos trimestres anteriores: os ganhos podem ter refletido um movimento cíclico, e não uma melhora estrutural do negócio.

O Itaú BBA também avaliou o trimestre como negativo. A margem Ebitda ficou em 12%, abaixo da estimativa de 12,4% do banco. Os comentários da administração indicaram que os desafios operacionais continuam, enquanto as reestruturações em andamento no Brasil e no México apontam para a persistência de volumes fracos por algum tempo.

Para o Itaú BBA, a tese de investimento na companhia piorou. O banco reconheceu que fatores não recorrentes afetaram o terceiro trimestre, sobretudo a ausência de entregas do Caminho da Escola, cuja retomada é esperada no quarto trimestre. Ainda assim, considera que obstáculos estruturais devem continuar pressionando as expectativas.

Recomendações e preços-alvo

Apesar das avaliações negativas sobre o desempenho operacional, Bradesco BBI e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para as ações. O Bradesco BBI estabeleceu preço-alvo de R$ 7, enquanto o Itaú BBA reiterou o preço-alvo de R$ 7,50. O JPMorgan manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 7.

O Bradesco BBI citou como referências de valuation — métrica usada para avaliar o preço de uma ação em relação aos resultados esperados — cerca de cinco vezes o lucro projetado para 2027 e rendimento de 16% do fluxo de caixa livre ao acionista. Mesmo com esses indicadores, o banco afirmou que a falta de melhora operacional deve continuar limitando o desempenho dos papéis.

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