A OceanPact (OPCT3) anunciou a venda das embarcações de apoio offshore CBO Energy e CBO Wiser por US$ 86 milhões, em uma operação que pode reforçar a geração de caixa e abrir espaço para pagamentos adicionais de dividendos. Às 13h55, no horário de Brasília, as ações da companhia subiam 5,46%, cotadas a R$ 9,47, após analistas avaliarem o negócio de forma positiva.
Venda supera valor estimado dos ativos
Cada embarcação foi negociada por US$ 43 milhões. Segundo o Bradesco BBI, esse valor equivale a cerca de 90% do preço de um navio novo, apesar de os dois barcos terem aproximadamente cinco anos de uso. Para o banco, a venda foi concluída em condições atrativas.
O pagamento prevê um sinal equivalente a 10% do valor total, e a conclusão da transação está prevista até 18 de dezembro, sujeita às condições usuais de fechamento. Depois da venda, a CBO Wiser continuará atendendo seu cliente atual por meio de um contrato de afretamento, modalidade em que uma embarcação é disponibilizada para uso mediante contrato.
O Bradesco BBI estima que a OceanPact receberá cerca de R$ 430 milhões líquidos com a operação. O valor é superior aos aproximadamente R$ 220 milhões que o banco atribuía aos ativos em seu modelo. A diferença representa uma criação de valor estimada em R$ 207 milhões, ou cerca de R$ 0,44 por ação, equivalente a aproximadamente 5% do valor de mercado da empresa.
Analistas veem espaço para dividendos
O Itaú BBA também considerou a transação positiva e alinhada à gestão ativa da frota e à alocação de capital da OceanPact. Com base em um valor contábil de aproximadamente US$ 20 milhões por embarcação, o banco calcula que a venda pode gerar um ganho de capital próximo de US$ 45 milhões, equivalente a cerca de 6% do valor de mercado atual da companhia.
O Itaú BBA acrescenta que a estrutura tributária da empresa deve reduzir a carga de impostos sobre a operação. Com isso, uma parcela maior dos recursos poderia permanecer disponível para distribuição aos acionistas. O banco relaciona a venda à tese de investimento na OceanPact, que, em sua avaliação, pode combinar crescimento operacional e aumento dos retornos aos investidores.
A instituição mantém recomendação outperform para as ações — classificação que indica expectativa de desempenho superior ao mercado — e preço-alvo de R$ 15 para 2027. Esse valor representa potencial de valorização superior a 65% em relação aos níveis atuais, segundo o Itaú BBA.
Redução da alavancagem financeira
O JPMorgan destacou que os recursos da venda podem acelerar a redução da alavancagem financeira da OceanPact, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda. Ebitda é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para avaliar a geração operacional de caixa de uma empresa.
Na estimativa do banco, a combinação da geração recorrente de caixa, da integração da aquisição da CBO e do dinheiro obtido com a venda pode levar a relação entre dívida líquida e Ebitda para menos de 2,5 vezes. Nesse patamar, a companhia poderia distribuir até 100% do lucro líquido na forma de dividendos.
O JPMorgan calcula que a operação deve gerar aproximadamente US$ 78 milhões em entradas líquidas de caixa e ter impacto positivo de cerca de US$ 38 milhões no lucro líquido. Esses efeitos, segundo os analistas, podem resultar em retornos adicionais aos acionistas e reforçar a atratividade das ações durante a recuperação do mercado offshore.
Embarcações devem operar fora do Brasil
As casas de análise também apontaram que os dois barcos devem atuar fora do Brasil após a conclusão do negócio. Por isso, a venda não deve ampliar a concorrência no mercado brasileiro de embarcações de apoio offshore nem reduzir a capacidade da frota de bandeira brasileira da OceanPact.
A manutenção do contrato de afretamento da CBO Wiser com seu cliente atual também assegura a continuidade da operação da embarcação após a transferência. Para os analistas, a combinação entre a entrada de recursos, o possível efeito sobre o endividamento e a ausência de impacto esperado na capacidade da frota brasileira sustenta a avaliação favorável da transação.

