S. C. M. Paine analisa os acertos das sanções econômicas


As sanções econômicas não costumam derrubar governos nem eliminar, sozinhas, ameaças externas, mas podem limitar a capacidade de adversários e conter crises a um custo menor que a guerra. A experiência dos Estados Unidos no Iraque e no Irã, segundo os episódios descritos até 2026, mostra que a pressão econômica pode produzir resultados graduais, enquanto intervenções militares podem ampliar a instabilidade e atingir a economia global.

Pressão econômica tem efeitos graduais

O argumento de que sanções são inúteis costuma se apoiar na permanência de governos e em suas provocações. Mas, em política externa, parte dos resultados é difícil de observar: um teste nuclear que não ocorre ou uma rota marítima que permanece aberta. Como esses desfechos não se concretizam, autoridades podem concluir que a pressão econômica falhou e recorrer à força.

Sanções não necessariamente alteram as ambições de um governo, mas reduzem os recursos disponíveis para sustentá-las e podem desestimular outros países a adotar comportamentos semelhantes. O efeito se acumula ao longo do tempo. Uma economia que cresce 3% ao ano — taxa próxima da média global citada no texto — dobra de tamanho em cerca de 23 anos. Se o crescimento cai para 1%, esse prazo aumenta para 70 anos.

Esse processo também impõe custos à população civil. Governos podem transferir o peso das medidas para grupos com menos influência política, enquanto protegem seus apoiadores. Ainda assim, a redução prolongada do crescimento limita os recursos do Estado. As diferenças entre as economias da Coreia do Norte e da Coreia do Sul são apontadas como exemplo dos efeitos que podem se acumular ao longo de gerações.

As chamadas sanções inteligentes, desenvolvidas depois de experiências amplas e de alto impacto, procuram restringir a punição a instituições ou indivíduos específicos. Em geral, são aplicadas por meio do sistema bancário, que bloqueia transações ligadas às atividades sancionadas. A intenção é reduzir os danos econômicos generalizados sem abandonar a pressão.

Iraque: custos e limites da guerra

As sanções impostas ao Iraque a partir de 1990 condicionavam sua retirada ao desmantelamento do programa de armas de destruição em massa e ao respeito à soberania do Kuwait. A verificação do desarmamento era difícil, e parte das medidas continuou após o armistício de 1991. Quando forças lideradas pelos Estados Unidos invadiram o país, em março de 2003, ficou evidente que o isolamento econômico havia impedido o governo de Saddam Hussein de recuperar a economia, reconstruir as Forças Armadas e retomar o desenvolvimento dessas armas.

Antes da invasão, porém, críticos consideravam insuficiente a política de contenção. Os Estados Unidos e o Reino Unido mantiveram zonas de exclusão aérea no norte e no sul do Iraque e bombardearam o país em 1998, depois que Bagdá expulsou inspetores de armas da ONU. A pressão era difícil de sustentar: havia divergências entre Washington e seus parceiros, e a presença militar americana no Oriente Médio alimentava oposição em diferentes grupos e países.

A invasão derrubou Saddam, mas trouxe consequências que foram além da mudança de regime. O conflito atraiu militantes jihadistas, e a violência entre sunitas e xiitas se intensificou após o atentado contra a Mesquita Dourada de Samarra, em 2006. Mais de 4 mil americanos e 200 mil iraquianos morreram durante a guerra. Depois da retirada dos Estados Unidos, em 2011, o Estado Islâmico, formado por jihadistas estrangeiros e remanescentes do Partido Baath de Saddam, tomou áreas do Iraque e da Síria em 2014 e 2015.

Irã: acordo nuclear e escalada militar

A pressão econômica sobre o Irã se intensificou ao longo de décadas. Em 2010 e 2011, os Estados Unidos restringiram a capacidade iraniana de vender petróleo e gás. As sanções contribuíram para a eleição de Hassan Rouhani, em 2013, e fortaleceram setores favoráveis a uma negociação. Em 2015, o Irã fechou um acordo com Estados Unidos, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e União Europeia. O pacto limitou o enriquecimento de urânio e o número de centrífugas em operação, além de ampliar as inspeções internacionais.

O acordo não restringia o apoio iraniano a grupos aliados nem o programa de mísseis balísticos, mas estabelecia medidas verificáveis para adiar o desenvolvimento nuclear. Os Estados Unidos se retiraram do pacto em 2018, e o Irã retomou seu programa. Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra com o objetivo declarado de conter as ambições nucleares iranianas. Os ataques não destruíram todas as instalações nucleares, e o regime permaneceu no poder.

A guerra também atingiu a infraestrutura militar americana e afetou o comércio internacional. O Irã respondeu aos ataques fechando, na prática, o Estreito de Ormuz e atingindo instalações de petróleo, gás e uso militar no Oriente Médio. A interrupção das exportações de combustíveis, fertilizantes e hélio contribuiu para a inflação e levantou preocupações sobre safras e o fornecimento de componentes para chips. Os Estados Unidos perderam ao menos 43 aeronaves, entre elas aviões de reabastecimento e vigilância, e tiveram bases militares danificadas ou inoperantes.

Contenção como estratégia de longo prazo

O texto também cita a Guerra Fria como exemplo de contenção baseada em restrições comerciais. Os Estados Unidos e aliados limitaram exportações de alta tecnologia para o bloco soviético, que já enfrentava problemas como planejamento central ineficiente e baixa oferta de bens de consumo. Na década de 1980, dirigentes soviéticos concluíram que não conseguiriam reduzir a distância econômica, tecnológica e militar em relação ao Ocidente, e a União Soviética encerrou a Guerra Fria.

Sanções não garantem vitória nem eliminam ameaças, mas podem reduzir a capacidade de ação de um adversário sem os efeitos imprevisíveis de uma guerra. Conflitos armados podem endurecer a disposição de resistência e ampliar os custos para os dois lados, além de atingir países distantes do campo de batalha. Nos casos do Iraque e do Irã, a pressão econômica não resolveu todos os problemas, mas serviu para administrá-los por mais tempo e com custos menores, segundo a análise apresentada.

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