Pepsi reduz projeções e acende alerta para vendas de refrigerantes nos EUA


A PepsiCo reduziu nesta quinta-feira sua previsão de crescimento de uma medida de lucro para o ano fiscal atual, de uma faixa de 4% a 6% para 1% a 2%, diante das dificuldades de suas operações na América do Norte. A empresa também enfrenta queda nas vendas de salgadinhos e quer recuperar o desempenho de refrigerantes na região.

Bebidas pressionam resultados

A companhia mantém crescimento nos mercados internacionais, mas ainda não conseguiu reverter a fraqueza na América do Norte. No terceiro trimestre, a receita orgânica — indicador que exclui efeitos como variações cambiais — recuou ligeiramente tanto na divisão de alimentos quanto na de bebidas da região.

Na teleconferência com analistas, o CEO Ramon Laguarta afirmou que a empresa está insatisfeita com o desempenho de bebidas e concentrará esforços em refrigerantes. “Não nos sentimos bem com o negócio de bebidas”, disse. “Estamos colocando toda a urgência e foco da companhia em melhorar nosso desempenho em refrigerantes.”

Os volumes de venda de bebidas na América do Norte caíram 3% neste ano. Segundo a companhia, versões sem açúcar e bebidas saborizadas tiveram desempenho melhor do que os refrigerantes tradicionais. Para tentar recuperar espaço, a PepsiCo planeja ampliar os investimentos em marcas como Pepsi e Mountain Dew, além da Poppi, adquirida no ano passado.

A fraqueza do segmento amplia os desafios da empresa, que já busca recuperar a confiança dos investidores depois da queda das ações desde março. Na sessão desta quinta-feira, os papéis subiam 1,2% em Nova York. Mesmo com a alta do dia, acumulavam recuo de 14% no ano até o fechamento de quarta-feira, enquanto o índice S&P 500 avançava cerca de 14% no mesmo período.

Preços e pressão sobre consumidores

Na divisão de snacks, a PepsiCo tenta impulsionar as vendas em meio à inflação e à pressão sobre o orçamento dos consumidores. A empresa reduziu neste ano os preços de algumas marcas importantes, mas os resultados ficaram abaixo das expectativas. Agora, planeja elevar novamente alguns preços nos próximos meses.

Laguarta afirmou que os cortes ajudaram a interromper a desaceleração das vendas e levaram o negócio a um território levemente positivo. Ainda assim, o crescimento dos volumes ficou aquém do esperado, em parte devido à pressão financeira enfrentada pelos consumidores.

O executivo disse que as reduções de preço também dão à companhia margem para lidar com uma nova onda de inflação. Mesmo com os reajustes previstos, os preços em 2027 deverão permanecer abaixo dos níveis de 2025, segundo Laguarta.

Os preços dos salgadinhos da empresa atraíram atenção neste ano depois que alguns produtos perderam espaço nas prateleiras dos supermercados por causa dos valores elevados. Alguns pacotes ultrapassaram US$ 7. O diretor financeiro Steve Schmitt afirmou que as reduções de preço feitas posteriormente pressionaram as margens da companhia.

Analistas veem sinais de avanço

Apesar dos problemas, alguns analistas avaliaram que os resultados superaram o que o mercado esperava. Nik Modi, da RBC Capital Markets, escreveu que há sinais de progresso, mas que a melhora perdeu ritmo por causa das pressões inflacionárias. Para ele, os números ficaram “ligeiramente melhores do que o mercado temia”.

A PepsiCo também pretende ampliar a oferta de produtos com mais proteína e fibras, além de itens feitos com ingredientes mais simples e óleos alternativos, como o de abacate. A iniciativa busca acompanhar a migração dos consumidores para alimentos menos processados.

A empresa ainda vê benefícios em um programa piloto que integra as operações de snacks e bebidas. A companhia, porém, reconhece que esse modelo não funciona da mesma forma em todas as regiões dos Estados Unidos.

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