Petróleo fecha em baixa com retomada dos fluxos no Oriente Médio


O petróleo fechou em queda nesta terça-feira (29/9), enquanto o mercado avaliava sinais de retomada das exportações sauditas pelo oleoduto Leste-Oeste e de recuperação dos embarques no Golfo. A redução dos preços ocorreu apesar da falta de perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Cotações recuam

O Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 1,71%, ou US$ 1,67, e terminou o dia a US$ 96,16 por barril. O contrato do petróleo WTI para novembro recuou 3,48%, equivalente a US$ 3,22, para US$ 89,38 por barril, na Nymex.

Os dois contratos registraram baixa em meio à expectativa de aumento da oferta de petróleo. Dados da empresa de análise de mercados Kpler apontam que os embarques na região chegaram, em setembro, a 80% dos níveis anteriores à guerra. O indicador sinaliza uma recuperação dos fluxos, embora ainda não represente o retorno aos volumes pré-conflito.

A retomada das exportações pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita também entrou no cálculo dos participantes do mercado. A perspectiva de mais petróleo disponível pesou sobre as cotações, mesmo com as incertezas em torno da situação política e militar na região.

Conflito mantém incertezas

As negociações entre Washington e Teerã seguem sem perspectiva de acordo. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o Irã precisa mudar de comportamento para que seja possível avançar em algum tipo de entendimento com o governo americano.

O presidente Donald Trump declarou novamente que o Irã está “indo muito mal”, que a guerra terminará em breve e que os preços do petróleo vão despencar. Já a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) pediu que americanos protestem contra Trump. A organização alegou que a guerra iniciada por Washington no Oriente Médio fracassou.

A instabilidade também aparece no Iêmen. Hans Grundberg, enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o país, afirmou ter se reunido durante o fim de semana com negociadores dos Houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã. O encontro ocorreu em uma tentativa de evitar nova escalada de violência, em meio a combates intensos na costa oeste entre os rebeldes e forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita.

Pressão sobre energia e projeções

Eric Lee, estrategista global de commodities do Citi, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que a pressão dos eleitores americanos contra a inflação e os altos custos de energia incentiva negociações capazes de normalizar os fluxos regionais de petróleo.

Esse cenário sustenta as projeções do banco de alívio nos preços neste ano e de continuidade da trajetória de queda em 2027. O cenário-base do Citi prevê que o Brent volte a ficar abaixo de US$ 70 por barril, com média próxima de US$ 65 à medida que 2027 avança.

A expectativa de preços menores convive com a possibilidade de novas medidas para ampliar a oferta. Segundo a Reuters, Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), afirmou que os países-membros poderão discutir a liberação de mais reservas estratégicas de petróleo em uma reunião nesta terça-feira.

“Estamos acompanhando os mercados muito de perto, especialmente os mercados de derivados, como o diesel e outros. Se houver necessidade discutiremos a adoção das medidas necessárias”, disse Birol. A declaração mantém em aberto a possibilidade de intervenção caso a agência avalie que o mercado precisa de mais oferta.

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