Açúcar bruto registra primeira alta em seis pregões na ICE com força do petróleo


Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na bolsa ICE subiram na sexta-feira, pela primeira vez em seis sessões, com a recuperação do petróleo e a persistência das preocupações climáticas ligadas ao El Niño. O avanço ocorreu após uma sequência de quedas, enquanto os preços do café recuaram e os do cacau tiveram resultados distintos em Londres e Nova York.

Açúcar recupera parte das perdas

O açúcar bruto fechou em alta de 0,11 centavo, ou 0,5%, a 20,24 centavos por libra-peso. Na sessão anterior, havia caído 1,6%, na quinta baixa consecutiva. Apesar da recuperação no fim da semana, o contrato acumulou perda de 3% no período.

O consultor Michael McDougall afirmou que consumidores e operadores provavelmente voltaram ao mercado como compradores, diante das quedas recentes e da presença de fatores que podem sustentar os preços. Entre eles estão as chuvas excessivas associadas ao El Niño no Brasil, principal produtor, e a alta do petróleo.

Se os preços do petróleo avançarem, as usinas de cana podem reduzir a produção de açúcar e direcionar mais matéria-prima à fabricação de etanol, usado como combustível. Essa possibilidade ajuda a explicar por que a recuperação do petróleo foi acompanhada por uma alta do açúcar na sessão.

Outro elemento acompanhado pelo mercado é a decisão da Índia de estender o prazo para a importação de 1 milhão de toneladas métricas de açúcar bruto sem cobrança de impostos. O limite, que terminaria em 31 de outubro, foi prorrogado até 31 de dezembro. A mudança dá mais tempo para que importadores levem o produto ao país, que é o maior consumidor mundial de açúcar.

A Índia também é o segundo maior produtor mundial. Os preços locais estão em forte alta, em meio a chuvas de monção abaixo do normal associadas ao El Niño. No mercado internacional, o açúcar branco subiu 0,2%, para US$ 534,80 por tonelada métrica, mas fechou a semana com perda de 3,6%.

Café recua, mas arábica avança na semana

O café arábica caiu 5 centavos, ou 1,6%, e terminou a sessão a US$ 3,0745 por libra-peso. A queda veio depois de o contrato alcançar, na quarta-feira, o maior preço em seis semanas, de US$ 3,1820. No balanço semanal, porém, o arábica ainda registrou alta de 0,6%.

Entre os fatores que têm sustentado o mercado estão os estoques muito baixos na bolsa ICE e a valorização do real. Com a moeda brasileira mais forte, exportadores do Brasil, principal produtor, têm menos incentivo para vender café cotado em dólares, pois essas vendas reduzem os retornos em moeda local.

Os estoques de arábica registrados na ICE caíram novamente na sexta-feira, para 227.978 sacas, aproximando-se do menor nível em 27 anos. A oferta disponível nos estoques da bolsa, portanto, segue no centro da atenção dos operadores, mesmo com a queda do preço na sessão.

Os participantes do mercado também acompanham a eleição presidencial brasileira prevista para domingo. Pesquisas indicam que uma vitória do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, poderia consolidar novos ganhos para o real. No robusta, o preço recuou 1,8%, para US$ 3.242 por tonelada, e a perda acumulada na semana foi de 5%.

Cacau tem variação limitada

O cacau negociado em Londres subiu 15 libras, ou 0,3%, e fechou a 4.311 libras por tonelada. O resultado veio após a queda de 3,9% registrada na quinta-feira. Em Nova York, o contrato ficou praticamente estável, a US$ 5.592 por tonelada.

Apesar da alta em Londres e da estabilidade em Nova York na última sessão, os dois mercados de cacau encerraram a semana com queda de 1%. Assim, entre as commodities acompanhadas, o açúcar teve recuperação diária após várias sessões negativas, o café recuou no dia e o cacau apresentou movimentos moderados, sem evitar perdas no acumulado semanal.

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