A produção brasileira de ração animal cresceu 4,2% no primeiro semestre, na comparação com igual período do ano passado, e chegou a 45,2 milhões de toneladas. O avanço foi impulsionado principalmente pelas exportações de carne de frango, enquanto a suinocultura também contribuiu, apesar da sobreoferta de animais, informou nesta quarta-feira (28) o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
Frango concentra a maior contribuição
As rações para frangos de corte somaram 19,9 milhões de toneladas, alta anual de 5,3%. O aumento foi de aproximadamente um milhão de toneladas, a maior contribuição absoluta para o crescimento do setor. Essa atividade respondeu por cerca de 44% de toda a produção de alimentação animal no semestre.
Segundo o Sindirações, as exportações recordes de frango no período ajudam a explicar o resultado. O desempenho do segmento foi o principal impulso para a expansão total da produção de rações, que também serve como indicador da demanda interna por milho e soja, os principais ingredientes usados na fabricação desses produtos.
O avanço dos volumes, porém, não significa necessariamente maior rentabilidade para os produtores. Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, afirmou que a expansão convive com pressões sobre a remuneração no campo. “O avanço dos volumes nem sempre se traduz em maior rentabilidade”, disse, em comunicado.
Suinocultura cresce apesar da sobreoferta
Na suinocultura, a produção de ração aumentou 5,4% e alcançou 11,2 milhões de toneladas. O crescimento também foi associado às exportações de carne suína, embora a entidade tenha apontado a sobreoferta de animais como um desafio para a atividade.
O cenário descrito pelo sindicato combina, portanto, aumento da produção de rações com pressões distintas entre os segmentos pecuários. No caso dos suínos, as vendas externas deram impulso à demanda por alimentação animal, mas a oferta elevada de animais permanece entre os fatores que afetam o setor. A entidade não detalhou no comunicado o efeito financeiro dessa condição.
Outros segmentos têm resultados distintos
A avicultura de postura, voltada à produção de ovos, teve uma contribuição menor para o crescimento da fabricação de rações. O Sindirações também citou piora nas relações de troca nessa atividade, expressão usada para indicar a relação entre os preços recebidos pelo produtor e os custos de produção.
Além das condições da avicultura e da suinocultura, Zani mencionou mudanças no ciclo bovino e a concorrência de lácteos importados entre os fatores que convivem com os recordes de exportação. O comunicado não apresentou números específicos para esses segmentos nem detalhou a dimensão de seus efeitos sobre a produção de ração.
“Os recordes de exportação coexistem com sobreoferta na suinocultura, piora das relações de troca na postura, mudança do ciclo bovino e concorrência dos lácteos importados”, afirmou Zani. A avaliação reúne fatores que ajudam a explicar por que o crescimento agregado da indústria de alimentação animal não representa uma evolução uniforme para todas as atividades.
Como a ração utiliza milho e soja como principais ingredientes, o volume produzido também é acompanhado como medida da demanda interna por esses grãos. No primeiro semestre, o aumento foi sustentado sobretudo pelas rações para frangos de corte, enquanto os resultados da suinocultura e dos demais segmentos refletiram condições próprias de cada atividade.

