Diesel pode amanhecer na segunda-feira com alta de 50%


O diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras pode ter uma alta de aproximadamente 50% já nesta segunda-feira (26), após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). A estimativa é de analistas do Goldman Sachs e considera um cenário de mudança nos subsídios federais. Até sábado (24), porém, a estatal não havia confirmado oficialmente nenhum reajuste.

O percentual projetado se refere ao preço cobrado pela Petrobras das distribuidoras, não ao valor que os motoristas pagariam diretamente nos postos. A fonte não aponta uma previsão de aumento de 50% nas bombas. O efeito para o consumidor dependeria de como uma eventual alteração no preço da refinaria seria transmitida ao longo da cadeia de comercialização.

Diferença em relação ao preço externo

A possibilidade de reajuste aparece em meio à valorização do petróleo e à distância entre os preços praticados no Brasil e as referências internacionais. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), relativos ao fechamento de quinta-feira (22), indicavam que o diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava, em média, R$ 3,53 por litro abaixo do preço de paridade de importação.

A paridade de importação é uma referência que compara o preço doméstico com o custo associado à compra do combustível no mercado externo. No levantamento da Abicom, a diferença correspondia a uma defasagem de 108%, segundo a metodologia da entidade. Isso indica que, pelos parâmetros usados no cálculo, o valor internacional de referência estava bem acima do preço praticado pela Petrobras.

A diferença de R$ 3,53 por litro também superava em um centavo a subvenção de R$ 3,52 por litro destinada aos importadores de diesel. A comparação ajuda a dimensionar a distância apontada pela associação entre a referência internacional e o preço das refinarias da estatal. Não significa, por si só, que a Petrobras seja obrigada a aplicar um aumento do mesmo tamanho.

Petróleo acima de US$ 100

Um dos fatores por trás da pressão sobre os preços é a alta do petróleo no mercado internacional. Em outubro, o barril do Brent voltou a superar US$ 100, impulsionado por tensões geopolíticas e riscos à oferta mundial de energia. O Brent é uma referência internacional para o preço do petróleo.

Quando o petróleo fica mais caro, o custo de importar derivados também tende a subir. Se o preço cobrado no mercado brasileiro permanece estável enquanto a referência externa avança, a diferença entre o combustível vendido no país e aquele que poderia ser comprado no exterior aumenta. É esse descompasso que os dados da Abicom registraram para o diesel nas refinarias da Petrobras.

A projeção do Goldman Sachs combina esse cenário de preços com a possibilidade de mudança nos subsídios federais. A estimativa de alta próxima de 50%, portanto, está vinculada a uma hipótese e não equivale a um anúncio da companhia. Até sábado, não havia confirmação oficial de que o reajuste ocorreria na segunda-feira.

Reajuste não é automático

A defasagem em relação ao preço de paridade de importação não determina automaticamente uma mudança nos valores cobrados pela Petrobras. A estatal considera outros fatores em sua política comercial, entre eles as condições de mercado, a competitividade e as alternativas de abastecimento. Por isso, a diferença calculada pela Abicom é um indicador de pressão, mas não confirma a decisão de reajustar.

Para distribuidoras e importadores, uma distância maior entre o preço doméstico e a referência externa altera as condições de comparação entre comprar o diesel da Petrobras e buscar o produto no exterior. Para os consumidores, os números citados não permitem calcular diretamente quanto o combustível poderia subir nos postos. A estimativa de 50% diz respeito ao preço da estatal para as distribuidoras, e a reportagem de origem não apresenta uma projeção para o repasse ao varejo.

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