Unicef e Gavi reduzem em cerca de 40% o custo da vacina contra a malária


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Aliança para as Vacinas, conhecida como Gavi, firmaram um acordo para reduzir em cerca de 40% o preço da vacina contra a malária. Com previsão de entrar em vigor no início de 2027, a medida busca ampliar o acesso à imunização e pode proteger até 1 milhão de crianças adicionais com o esquema completo de quatro doses.

O novo preço será de € 5,50 por dose. A iniciativa também deve gerar uma economia estimada em US$ 50 milhões entre 2027 e 2029, segundo o Unicef. A redução decorre da transferência da produção da vacina para um fabricante sediado em um país em desenvolvimento.

Preço menor pode ampliar a vacinação

O Unicef afirma que a queda no preço poderá ajudar os programas de imunização a alcançar mais crianças, especialmente em locais onde a malária é mais frequente. A entidade considera as vacinas uma das principais intervenções disponíveis contra a doença.

O esquema completo prevê quatro doses administradas de forma sazonal. Em áreas com transmissão sazonal elevada, a vacinação reduz em cerca de 75% os casos de malária, de acordo com a agência. A possibilidade de proteger até 1 milhão de crianças adicionais depende da ampliação do acesso ao esquema completo.

Para Leila Pakkala, diretora da divisão de abastecimento do Unicef, o acordo representa um avanço na proteção de crianças contra a infecção e na expansão da oferta de vacinas nos locais que mais precisam. Ela também afirmou que a parceria sinaliza apoio à inovação e pode contribuir para o desenvolvimento de vacinas de próxima geração.

A mudança no preço está ligada à alteração do local de fabricação. A produção será transferida para um fabricante de um país em desenvolvimento, embora o Unicef não informe, no acordo, qual é esse país. A nova condição comercial deve começar a valer no início de 2027.

Maioria das mortes ocorre na África

A malária continua a atingir sobretudo crianças e populações do continente africano. Segundo os números divulgados, em 2025 houve 282 milhões de casos e 610 mil mortes em todo o mundo. Países africanos concentraram 95% das infecções e das mortes.

Cerca de 74% das vítimas fatais eram crianças com menos de cinco anos. O Unicef também afirma que uma criança morre de malária a cada minuto, o equivalente a aproximadamente 500 mil mortes por ano. A entidade associa a vacinação à redução de casos em regiões de transmissão sazonal elevada.

O cenário pode se alterar com o aumento das temperaturas, mudanças nos padrões de transmissão, deslocamentos de comunidades e interrupções nos sistemas de saúde. Esses fatores podem levar a doença a áreas onde antes não era comum, segundo o Unicef. A agência aponta esse quadro como uma razão para ampliar o acesso a vacinas novas e aprimoradas.

Compra depende de metas de produção e regulação

O acordo foi viabilizado por um pagamento antecipado do Mecanismo Financeiro Internacional para a Imunização. A iniciativa, porém, depende do cumprimento de metas regulatórias e de fabricação. O processo de aquisição das doses só poderá começar depois que essas condições forem atendidas.

O Unicef é o maior comprador de vacinas do mundo e distribui mais de 3 bilhões de doses por ano. Segundo a organização, esse volume é suficiente para vacinar quase metade das crianças do planeta. A escala de compra da entidade dá dimensão do alcance potencial de mudanças no preço, embora a execução do novo acordo dependa das etapas previstas para a produção e a regulação.

Com o valor de € 5,50 por dose e a entrada em vigor prevista para 2027, a parceria pretende tornar mais sustentável o mercado de vacinas contra a malária. A economia projetada para o período de 2027 a 2029 é de US$ 50 milhões, enquanto o objetivo de ampliar a cobertura é incluir até 1 milhão de crianças no esquema completo.

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