Ibovespa futuro tenta recuperação após onda de vendas com reeleição de Lula


O Ibovespa Futuro registrava leve alta no início dos negócios desta terça-feira (27), em movimento de correção depois da onda de vendas de ativos brasileiros na véspera, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 9h04, no horário de Brasília, o índice avançava 0,24%, aos 178.675 pontos, enquanto investidores aguardavam declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e acompanhavam a agenda de balanços e decisões de juros no exterior.

Mercado aguarda sinalizações do BC

Galípolo dará uma entrevista coletiva às 11h para apresentar o relatório de estabilidade financeira do Banco Central. A fala será o primeiro comentário público do presidente da autoridade monetária após o resultado eleitoral e a forte queda dos ativos brasileiros que veio em seguida.

Os investidores também devem observar possíveis indicações sobre a composição da equipe econômica do quarto mandato de Lula. A formação do grupo é acompanhada pelo mercado em meio à avaliação das perspectivas para a política fiscal e para reformas estruturais no novo governo.

Nesta manhã, o Citigroup e a BCA Research reduziram suas recomendações para ativos brasileiros. As instituições avaliam que a relação entre risco e retorno de ações, títulos e moeda se deteriorou após a vitória de Lula, diante da reavaliação das perspectivas para a disciplina fiscal e as reformas.

A alta dos contratos futuros do Ibovespa ocorria depois da pressão observada no pregão anterior. O movimento desta terça-feira, porém, ainda se desenrolava em um cenário de cautela: além das incertezas locais, investidores aguardavam resultados de grandes empresas de tecnologia e decisões de bancos centrais.

Balanços e juros no exterior

Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices operavam no azul. O Dow Jones Futuro subia 0,19%, o S&P 500 avançava 0,23% e o Nasdaq tinha alta de 0,34%.

O balanço do HSBC, considerado frustrante pelo mercado, pressionava as ações de bancos. Ao longo da semana, os resultados de Microsoft, Amazon e Alphabet devem ser acompanhados em busca de indicações sobre o retorno dos elevados gastos com inteligência artificial.

Também estão previstas decisões de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão. A expectativa é de manutenção dos juros nas três economias. Com isso, os comentários das autoridades após as decisões podem concentrar a atenção dos investidores.

Dólar, bolsas e commodities

Na B3, o dólar futuro subia 0,20%, cotado a R$ 5,388. Na Ásia-Pacífico, as bolsas fecharam sem direção única. As ações de tecnologia tiveram destaque positivo, em meio ao otimismo relacionado ao pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Anthropic.

Os preços do petróleo avançavam, revertendo perdas anteriores. A queda havia sido influenciada por novos esforços diplomáticos para encerrar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã e por expectativas de redução da tensão em um conflito regional mais amplo. Nesse contexto, os houthis, apoiados por Teerã, haviam atacado a Arábia Saudita.

Na China, o minério de ferro recuou ao menor nível em mais de dois anos. A queda ocorreu com o aumento das preocupações sobre as perspectivas para a demanda chinesa, um fator acompanhado por investidores nos mercados de commodities.

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