A queda da Bolsa após o segundo turno levou o Ibovespa a se afastar da máxima histórica e colocou ações de empresas como Itaú, Alpargatas, Magazine Luiza e Vamos em diferentes situações técnicas. Na quinta-feira (29), o índice fechou aos 169.186 pontos, com recuo de 1,06%, enquanto investidores avaliam se os preços chegaram a suportes capazes de favorecer uma reação ou se a pressão vendedora pode continuar.
A avaliação é de Gilberto Coelho, conhecido como Giba, analista técnico da XP Investimentos. Segundo ele, Itaú (ITUB3) e Alpargatas (ALPA4) se aproximam de níveis que podem sustentar um repique. Magazine Luiza (MGLU3) e Vamos (VAMO3), por sua vez, seguem abaixo de referências importantes e ainda não apresentam sinais técnicos de recuperação.
Suportes e médias móveis orientam a leitura
O Ibovespa encerrou o pregão bem abaixo dos 209 mil pontos, nível acima do qual havia registrado sua máxima histórica no início do mês. Nesse ambiente de forte volatilidade, o analista observa regiões de suporte, que podem interromper ou reduzir uma queda, e níveis de resistência, que podem dificultar uma alta.
Uma das referências acompanhadas é a média móvel de 200 dias, indicador que calcula a média dos preços de uma ação em determinado período e ajuda a observar a tendência de longo prazo. Estar perto dessa média não garante uma recuperação, assim como negociar abaixo dela não significa que novas quedas ocorrerão necessariamente. Para Giba, os preços e os níveis de fechamento ajudam a confirmar ou invalidar cada cenário.
O analista também aponta que períodos de baixa podem abrir espaço para operações vendidas. Nessa estratégia, o investidor vende ações com a expectativa de recomprá-las depois por um preço menor. A operação costuma envolver o aluguel dos papéis e pode gerar perdas maiores se a cotação subir, além de custos de empréstimo e exigências de garantias.
Itaú e Alpargatas testam regiões de suporte
As ações do Itaú encontraram suporte na região de R$ 43, próxima da média móvel de 200 dias, de acordo com Giba. Se o papel preservar esse nível e houver entrada de compradores, os próximos objetivos apontados são R$ 50 e R$ 55,20.
Abaixo dos R$ 43, o analista identifica outro suporte relevante em R$ 40, região de um fundo registrado em agosto. Assim, a manutenção do patamar atual pode favorecer uma tentativa de recuperação, enquanto sua perda deslocaria a atenção para o nível inferior.
A Alpargatas também chegou a uma faixa que pode favorecer um repique. O papel recuou de R$ 18,68 para R$ 12,60 e passou a testar um suporte próximo da média móvel de 200 dias. Se reagir, o primeiro objetivo indicado por Giba é R$ 15,95, seguido por R$ 18,68. Caso a pressão vendedora persista, o suporte seguinte está em R$ 10,80.
Vamos e Magazine Luiza ainda precisam recuperar níveis
A configuração da Vamos é mais negativa. Depois de negociar acima da média móvel de 200 dias, a ação passou a operar abaixo dela. Para Giba, essa movimentação indica reversão da tendência principal para baixa, e o papel ainda não apresentava sinal técnico de recuperação no momento da análise. O analista voltaria a considerar posições compradas somente após um fechamento acima de R$ 3,70.
O Magazine Luiza também perdeu a média móvel de 200 dias e passou a negociar bem abaixo da referência. Na avaliação de Giba, o movimento caracteriza uma mudança da tendência principal para baixa. Para reconsiderar posições compradas, o papel precisaria fechar acima de R$ 7,24.
Além da leitura dos gráficos, aumentaram as posições vendidas em MGLU3. Levantamento da XP com dados de 28 de outubro apontou short interest de 16%, alta de 4,41 pontos percentuais em duas semanas. O indicador mede a presença de posições vendidas, mas não prevê, por si só, novas quedas: ações alugadas também podem ser usadas em estratégias de proteção e arbitragem.
Posições vendidas podem ampliar uma recuperação
Quando investidores que apostam na queda precisam recomprar ações para encerrar suas operações, essa demanda pode intensificar uma alta. O movimento é conhecido como short squeeze. Por isso, um volume elevado de posições vendidas pode aumentar a pressão em uma eventual recuperação, embora não determine que ela vá ocorrer.
Entre os quatro papéis analisados, Itaú e Alpargatas estão mais próximos de suportes que, segundo Giba, podem favorecer um repique. Vamos e Magazine Luiza seguem abaixo da média móvel de 200 dias e precisam superar, respectivamente, R$ 3,70 e R$ 7,24 para melhorar a leitura técnica. Esses patamares são referências de acompanhamento, não garantias de valorização ou de novas quedas.

