Itaú (ITUB4) tem trimestre sólido e reforça favoritismo do mercado; ação sobe


O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, resultado próximo ou ligeiramente superior às estimativas de analistas e acompanhado de rentabilidade elevada. Na manhã desta quarta-feira (4), às 10h18, as ações preferenciais ITUB4 subiam 2,78%, a R$ 39,58, em um pregão de maior ânimo no mercado.

O lucro cresceu cerca de 2% em relação ao trimestre anterior e entre 6% e 13% na comparação anual, conforme a metodologia adotada pelos analistas. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, indicador que mede a rentabilidade em relação ao capital dos acionistas) ficou em 23,6%. Os números reforçaram a avaliação de que o banco mantém capacidade de atravessar um cenário de crédito mais desafiador.

Crédito cresce com atrasos sob controle

A carteira de crédito avançou 10,2% em 12 meses, impulsionada por modalidades consideradas mais seguras, como financiamento imobiliário, crédito consignado e empréstimos a pequenas e médias empresas apoiados por programas com garantia do governo. A expansão veio acompanhada de indicadores de inadimplência que, segundo analistas, seguem favoráveis em relação aos do restante do sistema financeiro.

O índice de atrasos superiores a 90 dias passou de 1,9% para 2,0%. A alta foi atribuída principalmente à normalização da carteira de pequenas e médias empresas após o fim dos períodos de carência previstos em programas governamentais. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias, usada para acompanhar tendências futuras, recuou de 1,8% para 1,7%.

A Genial Investimentos apontou que o Itaú continua com indicadores de atraso significativamente melhores do que os observados no conjunto do sistema financeiro. A instituição atribuiu essa resiliência a provisões conservadoras, critérios rigorosos para conceder crédito e baixa exposição a casos problemáticos no segmento corporativo.

O resultado também destacou a geração de capital e a manutenção da qualidade dos ativos. Para a Genial, a combinação desses fatores sustenta a capacidade do banco de proteger seus resultados em um ciclo de crédito mais difícil. A casa reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 54,70 para ITUB4, além de manter o Itaú como sua principal escolha entre os bancos. A estimativa da corretora indica potencial de valorização superior a 40%, além de retorno esperado com dividendos.

Tesouraria compensa pressão em receitas

Na margem financeira, o desempenho das operações de tesouraria ajudou a compensar a pressão sobre a margem com clientes. Essa última foi afetada por uma composição maior de produtos com spreads menores — diferença entre a taxa cobrada nos empréstimos e o custo de captação dos recursos. A margem com o mercado somou R$ 1,3 bilhão, alta superior a 40% tanto na comparação trimestral quanto na anual.

Outro fator favorável foi a revisão da projeção para a alíquota efetiva de imposto em 2026. O Itaú passou a estimar uma faixa de 28% a 29%, ante a previsão anterior, de 29,5% a 32,5%. Analistas avaliaram que a redução pode abrir espaço para o crescimento do lucro e compensar parcialmente a fraqueza em algumas linhas de receita.

As principais ressalvas ficaram nas receitas de serviços e na operação de seguros. Assessoria e corretagem continuaram pressionadas pelo menor volume de operações no mercado de capitais. No segmento de seguros, algumas carteiras foram afetadas pelo aumento dos sinistros. Morgan Stanley e JPMorgan apontaram que a recuperação dessas receitas será relevante para sustentar uma aceleração dos lucros nos próximos trimestres.

Analistas veem estabilidade como diferencial

O Morgan Stanley afirmou que o balanço mostra a capacidade do Itaú de manter rentabilidade alta mesmo em um ambiente menos favorável. O banco destacou a disciplina na concessão de crédito, o controle de custos e a qualidade dos ativos, mas identificou o crescimento como principal desafio. Manteve recomendação overweight — exposição acima da média do mercado, equivalente à compra — e preço-alvo de US$ 10 para os recibos de ações negociados em Nova York, conhecidos como ADRs.

Para o Morgan Stanley, investidores também precisam avaliar por quanto tempo o Itaú poderá justificar uma avaliação superior à dos concorrentes caso o crescimento das receitas continue moderado. O JPMorgan classificou o resultado como neutro à primeira vista, mas observou que a estabilidade ganha importância em um cenário de maior incerteza econômica. A instituição manteve recomendação overweight e destacou os indicadores de qualidade dos ativos, margem financeira e capitalização.

O Bradesco BBI considerou o trimestre ligeiramente melhor do que o esperado, com contribuição dos ganhos de tesouraria e dos indicadores de crédito. A XP também reiterou recomendação de compra, preço-alvo de R$ 50 e a indicação do Itaú como sua principal escolha no setor bancário. A casa citou rentabilidade elevada, crescimento disciplinado, geração de capital e previsibilidade de resultados.

O conjunto das avaliações aponta para um trimestre sem forte aceleração, mas com manutenção de rentabilidade próxima de 24% e de indicadores de crédito considerados superiores aos dos concorrentes. Para as instituições que acompanham o banco, a evolução das receitas de serviços e seguros será um dos pontos a observar nos próximos trimestres.

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