Plenário do STF julgará ações que podem derrubar regras do drogômetro


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux decidiu não analisar, por enquanto, pedidos de liminar contra as regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para o uso de drogômetros. Em vez de conceder ou negar as medidas urgentes, ele adotou o rito abreviado e abriu prazo para que autoridades e órgãos públicos se manifestem sobre as ações, que contestam a possibilidade de punir motoristas com base na detecção de substâncias no organismo.

O presidente do Contran e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão dez dias para apresentar informações. Em seguida, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) terão cinco dias cada para se manifestar. A decisão de Fux não encerra a discussão nem define se as regras são constitucionais; ela estabelece a sequência de manifestações antes da análise das ações.

Entidades questionam critérios de punição

Fux reuniu duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), instrumentos usados para contestar a validade de normas perante o STF. Uma foi apresentada pelo Instituto Éden Jardim de Cura e a outra pela Associação Brasileira de Cannabis Medicinal, conhecida como Santa Cannabis.

As entidades alegam que a regulamentação do Contran excede o poder do conselho de editar regras e pode permitir sanções sem comprovação suficiente da infração. O argumento central é que detectar álcool ou drogas no organismo não equivale, necessariamente, a demonstrar que a pessoa dirigia sob efeito dessas substâncias ou que teve a capacidade de conduzir comprometida.

A controvérsia envolve duas situações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A legislação trata como infração dirigir “sob a influência” de substância psicoativa. Já a condução “com capacidade psicomotora alterada” pode configurar crime. A primeira situação pode resultar em multa e suspensão do direito de dirigir; a segunda pode levar à detenção, conforme a distinção apresentada nas ações.

Para o Instituto Éden Jardim de Cura e a Santa Cannabis, o resultado do drogômetro, isoladamente, não demonstraria nenhuma dessas condições. O aparelho pode identificar a presença de substâncias, mas, segundo as entidades, isso não comprova por si só que o motorista estava sob influência delas ou incapaz de dirigir com segurança.

Uso medicinal da cannabis está entre as preocupações

A Santa Cannabis também aponta possíveis efeitos das regras sobre pacientes que usam cannabis medicinal. A associação sustenta que essas pessoas poderiam ser punidas mesmo quando autorizadas a utilizar a substância e sem que houvesse comprometimento da capacidade de condução.

Esse ponto se relaciona à diferença entre a presença de uma substância no organismo e seus efeitos no momento em que a pessoa dirige. A discussão no STF deverá considerar se as normas permitem estabelecer essa distinção ou se a identificação da substância pode servir, por si só, como base para a aplicação de sanções. As ações questionam a regulamentação; a decisão de Fux ainda não resolve esse mérito.

Resolução prevê testes para outras substâncias

A possibilidade de submeter motoristas a testes para verificar a influência de álcool ou de outras substâncias psicoativas existe desde a entrada em vigor do CTB, em 1998. Em 2012, a legislação foi alterada para retirar a exigência expressa de que houvesse suspeita prévia antes da realização do teste.

Em agosto de 2026, o Contran passou a prever expressamente o uso de equipamentos para detectar outras substâncias psicoativas. Esses aparelhos, chamados de drogômetros, podem analisar amostras de saliva. O bafômetro, por sua vez, examina o ar expirado.

Um equipamento certificado no Brasil consegue identificar 12 substâncias, segundo as informações apresentadas sobre a resolução. A norma, porém, não estabelece uma lista única de drogas que os aparelhos devem detectar. A regulamentação e os limites do uso dos resultados estão no centro das contestações levadas ao Supremo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Bayer aposta no mercado de bioinsumos para crescer na América Latina

A Bayer anunciou nesta quarta-feira que pretende lançar 17 produtos biológicos na América Latina até 2030, com o objetivo...

Quem leu, também se interessou