Ações de Smart Fit, GPA e C&A sobem após resultados do 3º tri; Méliuz e Meli caem


As ações de Smart Fit (SMFT3), GPA (PCAR3) e C&A (CEAB3) subiam na quinta-feira (5), após as companhias divulgarem resultados do terceiro trimestre de 2026 que agradaram investidores. Na direção oposta, Méliuz (CASH3) e Mercado Livre (MELI34) recuavam, em meio à repercussão de números considerados mais fracos ou pressionados por custos.

Variação das ações e resultados da C&A

Por volta das 12h08, no horário de Brasília, os papéis da C&A avançavam 7,93%, a R$ 7,35, enquanto os do GPA subiam 5,5%, a R$ 2,43. A Smart Fit tinha alta de 4,88%, a R$ 17,61. A Méliuz caía 9,01%, cotada a R$ 3,94. A notícia não informa a variação percentual das ações do Mercado Livre.

A C&A apresentou resultados acima das estimativas para alguns indicadores, mas com desempenho desigual entre áreas. O lucro por ação ajustado pelo JPMorgan ficou em R$ 0,18, ante projeção de R$ 0,15 do banco e consenso de R$ 0,13. Ainda assim, houve queda de 19% na comparação anual.

As vendas mesmas lojas, que medem a evolução das vendas de unidades abertas há pelo menos um ano, ficaram praticamente estáveis. O JPMorgan esperava recuo de 0,6%. O resultado operacional foi pressionado por gastos maiores com marketing e pela alavancagem operacional negativa, quando a receita não cresce o suficiente para diluir custos.

A C&A Pay foi o principal destaque positivo, apoiada pela continuidade da boa qualidade do crédito. A margem bruta do varejo também avançou, apesar do ambiente mais promocional e da demanda fraca dos consumidores. Para o BBI, o trimestre foi positivo, com resiliência em indicadores operacionais e forte geração de caixa. O banco ponderou, porém, que o cenário para 2027 deve ser desafiador para o setor.

O Goldman Sachs também apontou a margem bruta como destaque: a margem de vestuário avançou 60 pontos-base em um ano. Em contrapartida, as despesas gerais e administrativas, conhecidas pela sigla SG&A, aumentaram 140 pontos-base sob pressão dos investimentos em marketing.

Smart Fit cresce; GPA tem balanço misto

A Smart Fit registrou lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre, alta de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado — indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — cresceu 30%, e sua margem passou de 32,1% para 32,5%. A receita líquida aumentou 29%.

Analistas da XP chamaram o resultado de “uma tese de crescimento que continua entregando” e destacaram receita e margem bruta, embora tenham apontado pressão sobre a rentabilidade das academias no Brasil. O BBI atribuiu o desempenho à aceleração da receita e à contribuição do TotalPass e das operações em outros países.

O JPMorgan informou que o Ebitda ajustado antes do IFRS 16, norma contábil relacionada ao reconhecimento de arrendamentos, chegou a R$ 763 milhões. O valor cresceu 30% em um ano e 7% ante o trimestre anterior, superando em 7% a estimativa do banco e em 3% o consenso. A administração, contudo, relatou desempenho mais fraco nas unidades maduras brasileiras, com menor receita por academia e custos de manutenção maiores. O TotalPass ajudou a elevar a margem bruta de caixa consolidada em 170 pontos-base na comparação anual, segundo o Goldman Sachs.

No GPA, o JPMorgan classificou o balanço como misto. As vendas brutas caíram 6% em um ano, em parte pelo foco em canais mais rentáveis e pela falta de produtos nas lojas durante o processo de recuperação extrajudicial. As vendas mesmas lojas cresceram 1,5%, mas o formato Pão de Açúcar recuou 0,7%.

Apesar da queda nas vendas brutas, o Ebitda ajustado do GPA aumentou 17% e ficou 15% acima do consenso, impulsionado pela melhora da margem bruta e por ganhos de eficiência nas despesas. As despesas financeiras elevadas continuaram levando a companhia a registrar prejuízos.

Méliuz e Mercado Livre enfrentam pressões

A receita líquida da Méliuz somou R$ 96 milhões, queda de 22% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior e de 17% ante o trimestre anterior. O valor ficou 9% abaixo da projeção do UBS BB e 21% aquém do consenso. A interrupção da parceria com a Casas Bahia, após o pedido de recuperação judicial da varejista em agosto, mudanças no conjunto de parceiros e uma base de comparação mais difícil afetaram o resultado. A administração estimou em cerca de R$ 15 milhões a receita anual que deixou de receber em comissões da Casas Bahia.

O balanço também incluiu efeitos não recorrentes. A empresa provisionou R$ 14 milhões contra recebíveis da Casas Bahia e reverteu R$ 3,8 milhões em provisões de cashback. Houve ainda reversão de impairment de Bitcoin de R$ 78,5 milhões, sem efeito sobre o caixa, e benefício fiscal diferido de R$ 25,8 milhões após a incorporação da Alter, em agosto.

O Ebitda reportado da Méliuz foi de R$ 85 milhões, enquanto o ajustado ficou em R$ 17 milhões: 42% abaixo do consenso, mas 8% acima da projeção do UBS BB. O lucro líquido reportado chegou a R$ 114 milhões. Na medida ajustada, foi de R$ 19,6 milhões, acima dos R$ 9,5 milhões estimados pelo banco e abaixo do consenso, de R$ 30 milhões.

No Mercado Livre, a XP avaliou que a receita mostrou resiliência no Brasil e na Argentina, mas o resultado operacional ficou aquém do esperado por causa do aumento dos custos de frete e das despesas de marketing. O lucro antes de juros e impostos, ou EBIT, ficou 7% abaixo da projeção da corretora, com margem de 6,3%, recuo de 0,4 ponto percentual ante o trimestre anterior.

A alta dos combustíveis e a expansão de aproximadamente 20% na capacidade dos centros de distribuição em relação ao trimestre anterior pressionaram o frete. A companhia espera que as novas estruturas ganhem escala a partir do quarto trimestre. No Brasil, também ampliou os investimentos em marketing de afiliados; o crescimento mais fraco no México limitou ganhos de eficiência.

O Citi informou que o EBIT foi de US$ 676 milhões, queda anual de 6%, abaixo do esperado pelo mercado. Para os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein, a questão é a velocidade com que a empresa poderá normalizar custos sem reduzir os reinvestimentos. Eles também apontaram desaceleração em algumas linhas de crédito. Apesar dos riscos no curto prazo, a XP manteve avaliação construtiva para as perspectivas de longo prazo, mas alertou para possíveis revisões para baixo das estimativas de EBIT caso o ciclo de investimentos se prolongue.

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