Análise compara imóveis acumulados por EZTEC (EZTC3) e Trisul (TRIS3)


Incorporadoras brasileiras de média e alta renda lançaram mais imóveis do que venderam entre janeiro e setembro de 2026, aumentando o risco de formação de estoques. Levantamento da XP, divulgado na terça-feira (3), aponta que a relação entre vendas líquidas e lançamentos ficou em 0,81 no segmento: a cada R$ 1 em novos projetos, foram vendidos R$ 0,81.

O descompasso pode pressionar preços e margens caso a procura não acompanhe a oferta, segundo os analistas Ygor Altero e João Rodrigues. O estudo mostra diferenças entre empresas e segmentos, com indicadores mais próximos do equilíbrio entre as construtoras voltadas à baixa renda.

EZTEC tem menor relação entre vendas e lançamentos

Entre as empresas de média e alta renda analisadas, a EZTEC (EZTC3) registrou a menor relação entre vendas líquidas e lançamentos, de 0,74. Isso indica que, para cada R$ 1 lançado, foram vendidos R$ 0,74 no período. Moura Dubeux (MDNE3) teve índice de 0,75, e Trisul (TRIS3), de 0,76.

Um indicador inferior a 1 significa que o valor dos lançamentos superou o das vendas líquidas nos nove primeiros meses do ano. Se essa diferença persistir, pode haver aumento das unidades disponíveis para venda. A XP também destacou Even e Melnick, que apresentaram relações acima de 1. Segundo o levantamento, o resultado está associado à redução no ritmo de novos projetos e à concentração de esforços na comercialização de imóveis já lançados.

O ritmo de vendas também pode ser afetado pelo custo do crédito imobiliário. A XP cita aumentos de taxas por bancos como Santander, Itaú e Bradesco, que podem dificultar a recuperação das vendas. Para as incorporadoras com desempenho abaixo de 1, o descompasso entre novos projetos e comercialização pode exigir ajustes para evitar pressão sobre as margens e a geração de caixa.

Baixa renda tem indicador mais próximo do equilíbrio

Nas empresas voltadas à baixa renda, a relação entre vendas e lançamentos avançou de 0,83 nos nove primeiros meses de 2025 para 0,94 no mesmo intervalo de 2026. O resultado indica uma aproximação entre o volume de novos projetos e as vendas líquidas, embora o indicador do segmento ainda tenha ficado abaixo de 1.

A Direcional (DIRR3) liderou o grupo, com índice de 1,07. A MRV (MRVE3) registrou 0,97, a Plano&Plano (PLPL3) ficou em 0,89 e a Tenda (TEND3), em 0,87. No caso da Tenda, a XP relaciona o resultado à aceleração dos lançamentos.

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) é apontado como um fator de sustentação para esse mercado. De acordo com os dados reunidos pela XP, o programa responde por 70% das vendas residenciais em São Paulo. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por sua vez, representa 83% do financiamento da política habitacional brasileira.

Custos seguem pressionados

A melhora na relação entre vendas e lançamentos da baixa renda convive com custos maiores para construir. O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) subiu 0,35% em outubro e acumulou alta de 6,75% em 12 meses, segundo os dados apresentados no levantamento.

Para os analistas da XP, o segmento de baixa renda mostra uma relação mais equilibrada entre oferta e demanda. Já as incorporadoras de média e alta renda podem precisar reduzir lançamentos, acelerar a comercialização ou vender ativos. Essas medidas, segundo a análise, podem ajudar a conter o acúmulo de imóveis e proteger margens e geração de caixa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Pará lidera produção de madeira nativa, mas registra 19 mil hectares de extração ilegal

O Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, alta superior a...

Quem leu, também se interessou