Após eleição, XP reforça pós-fixados e amplia exposição a ações no exterior


A XP Investimentos adotou uma posição mais defensiva nas carteiras de alocação de novembro, divulgadas nesta quarta-feira (4), diante das incertezas sobre a execução do ajuste fiscal e seus efeitos sobre o risco do país. A casa aumentou a parcela de renda fixa pós-fixada, reduziu prefixados e ações brasileiras e elevou a exposição a ações internacionais.

A mudança prioriza ativos com retorno ligado ao nível dos juros e menor sensibilidade às oscilações do mercado, em vez de posições que dependem mais da valorização dos preços. “Mantemos, assim, a diversificação como elemento central dos portfólios, mas com uma composição de risco mais defensiva e equilibrada”, afirma a XP em relatório.

Pós-fixados ganham espaço

A maior alteração ocorreu na carteira moderada. A renda fixa pós-fixada aumentou 9,5 pontos percentuais e passou a representar 35,5% do portfólio. Na carteira conservadora, a alta foi de 8,5 pontos, para 71,5%. Na sofisticada, o avanço de 7 pontos levou a participação a 17%. Segundo a XP, os recursos foram alocados em caixa.

Os pós-fixados acompanham indicadores de juros e, segundo a avaliação da casa, podem oferecer um retorno atrativo enquanto as taxas permanecerem elevadas. A liquidez desses ativos também permite realocar recursos se surgirem oportunidades em outras classes. Para o crédito privado, a recomendação é priorizar emissores de maior qualidade, porque os juros altos aumentam o custo financeiro das empresas.

Em sentido oposto, a XP cortou a renda fixa prefixada em 6 pontos na carteira conservadora e em 4 pontos nas carteiras moderada e sofisticada. A instituição passou a preferir títulos com vencimentos mais curtos e duração média de dois anos. Duração, ou duration, é uma medida de quanto o preço de um título pode reagir a mudanças nas taxas de juros.

A desaceleração da atividade econômica poderia abrir espaço para juros menores, mas a XP considera que esse cenário ficou menos claro diante das incertezas fiscais e das pressões inflacionárias. “As posições mais longas devem permanecer reduzidas e ser tratadas de forma tática, pois continuam sujeitas a uma relação menos previsível entre política monetária, inflação e risco fiscal”, diz o relatório.

Risco fiscal no centro das preocupações

Na carta que acompanha o documento, o diretor de investimentos (CIO, na sigla em inglês) da XP, Artur Wichmann, aponta a dívida pública elevada, os déficits persistentes e o orçamento engessado como fatores de risco para os mercados. “No caso brasileiro, a principal preocupação continua sendo a questão fiscal”, escreve.

Wichmann afirma que o setor externo continua servindo de apoio ao real, mas observa sinais de desaceleração da atividade. Também cita o maior endividamento de famílias e empresas em um ambiente de juros ainda restritivos. “Esperança, por si só, não é uma estratégia de investimento”, diz.

A revisão das carteiras ocorre após a equipe de alocação da XP reduzir a probabilidade de ajuste fiscal no próximo governo. Os títulos atrelados à inflação mantiveram o mesmo peso nas três carteiras. A preferência é pelo retorno das taxas reais já contratadas, com foco em vencimentos curtos e intermediários; a parte longa, segundo a casa, está mais exposta à volatilidade.

Menos ações brasileiras, mais exposição internacional

A XP reduziu a renda variável brasileira em 3,5 pontos na carteira moderada, que passou a ter 5% nessa classe, e em 5 pontos na sofisticada, agora com 15%. A carteira conservadora permanece sem exposição a ações brasileiras. Na véspera da divulgação das carteiras, a equipe de estratégia da XP havia rebaixado sua recomendação para a Bolsa do país para neutra.

Parte dos recursos foi direcionada a ações internacionais. A XP passou a recomendar exposição acima do peso de referência — estratégia chamada de overweight —, com preferência pelo mercado americano e por temas ligados a tecnologia e inteligência artificial. A casa reconhece que investidores estão mais exigentes em relação aos preços das ações e aos lucros das empresas, mas considera possíveis correções oportunidades de entrada em companhias de qualidade.

Nas demais classes, a XP manteve visão neutra para multimercados, embora tenha reduzido essa exposição em 2 pontos na carteira moderada. Em fundos listados, segue seletiva e prefere fundos imobiliários de papel, que investem em títulos ligados ao setor. A avaliação é que eles combinam retorno pelo carregamento dos ativos com menor volatilidade do que o IFIX, índice de fundos imobiliários, e os fundos voltados a imóveis físicos, chamados de fundos de tijolo.

Alocação global sem mudanças

A carteira global da XP, denominada em dólar, manteve a composição de outubro: 51% em renda fixa, 45% em renda variável e 4% em caixa. A única alteração foi ampliar para três anos a duração recomendada para a renda fixa, após a alta dos rendimentos dos títulos, conhecidos no mercado como yields, com a abertura recente das curvas de juros.

A XP também reiterou a recomendação de manter ao menos 15% do patrimônio financeiro em um portfólio global dolarizado, como complemento aos investimentos em reais e forma de diversificação entre moedas e jurisdições.

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