BBA fica mais conservador na bolsa e prioriza 10 ações de qualidade


O Itaú BBA ficou mais cauteloso com as ações brasileiras após a forte correção registrada nesta semana, mas avalia que ainda há oportunidades seletivas na Bolsa. Em atualização de sua estratégia para o mercado local, o banco recomenda priorizar empresas de qualidade, com geração de caixa, menor endividamento e capacidade de apresentar resultados mesmo com juros elevados por mais tempo.

O cenário, segundo os estrategistas, limita uma valorização ampla dos ativos, apesar dos descontos nos preços. O Ibovespa negocia a cerca de oito vezes o lucro projetado, aproximadamente 20% abaixo da média histórica. Crescimento econômico mais fraco, inflação acima da meta e juros reais elevados, porém, reduzem o espaço para uma alta sustentada apenas pela expansão dos múltiplos — indicadores que comparam o preço das ações aos resultados das empresas.

“Os retornos devem depender mais da entrega de lucros e do carrego do que de uma reavaliação generalizada dos ativos”, resumem os estrategistas. A expressão “carrego” se refere ao retorno obtido ao manter os investimentos, além de uma eventual valorização dos preços.

Carteira favorece empresas de qualidade

Com essa visão, o Itaú BBA alterou sua seleção principal de ações brasileiras. Entraram Sabesp (SBSP3), CPFL Energia (CPFE3), XP (XPBR31), Cury (CURY3) e WEG (WEGE3), nos lugares de Equatorial (EQTL3), Bradesco (BBDC4), BTG Pactual (BPAC11), Direcional (DIRR3) e Gerdau (GGBR4), respectivamente.

A lista também mantém Petrobras (PETR3 e PETR4), Embraer (EMBJ3), Multiplan (MULT3), Rede D’Or (RDOR3) e Axia Energia (AXIA3). A composição busca empresas com proteção contra a inflação, receitas relacionadas ao dólar, alto retorno sobre o patrimônio e geração recorrente de dividendos.

O banco tem sua maior convicção no setor de serviços públicos, com destaque para energia elétrica e saneamento. Segundo a análise, esses ativos oferecem retorno real implícito entre 11% e 15%, fluxo de caixa previsível e receitas protegidas pela inflação. Além da Sabesp, o relatório cita CPFL, Axia, Equatorial, Copel (CPLE6) e Eneva (ENEV3).

O Itaú BBA também mantém uma avaliação positiva para shopping centers. Multiplan e Allos (ALOS3) são apontadas como empresas capazes de combinar geração de caixa e proteção em um ambiente de juros elevados.

Mais exposição a empresas dolarizadas

Outra mudança na estratégia foi o aumento da exposição a exportadoras e companhias com receitas em moeda estrangeira. Para o banco, a valorização recente do dólar e as incertezas sobre a trajetória fiscal tornam esses negócios mais atrativos. Petrobras, Embraer e WEG estão entre as preferências nesse grupo.

A Petrobras é considerada uma das ações mais baratas da Bolsa pelo Itaú BBA. A empresa negocia a cerca de 3,3 vezes o EV/Ebitda — relação entre o valor da companhia e o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — e oferece dividendos elevados, segundo o relatório.

A Embraer combina, na avaliação do banco, forte crescimento de resultados e exposição cambial favorável. A WEG, por sua vez, reúne qualidade operacional e mais de 60% das receitas geradas no exterior.

Na direção oposta, o Itaú BBA mantém uma posição menos favorável a mineração e siderurgia. A participação de Vale (VALE3) segue abaixo do peso de referência no Ibovespa, apesar de o banco considerar que a ação tem valuation descontado. A cautela reflete preocupações com a geração de caixa e as perspectivas para o minério de ferro.

Juros e atividade pesam sobre escolhas

O relatório também aponta redução da exposição a empresas domésticas mais sensíveis ao ritmo da economia. A preferência passou a recair sobre companhias menos endividadas e com maior capacidade de gerar caixa. Entre os nomes citados nesse grupo estão XP, Cury, B3 (B3SA3), Nubank (NU) e BTG Pactual.

Em áreas de crescimento estrutural, o banco destaca Rede D’Or, RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3), GPS (GGPS3) e BradSaúde (SAUD3). A análise relaciona essas empresas a tendências de longo prazo, como o envelhecimento da população, o aumento da demanda por serviços de saúde e a expansão do setor de fitness.

Apesar das restrições macroeconômicas, o Itaú BBA avalia que a Bolsa já incorporou parte relevante dos riscos. Cerca de dois terços das empresas do Ibovespa são negociadas abaixo de suas médias históricas de valuation. Varejo, saúde, transporte e construção civil também apresentam descontos relevantes em relação ao próprio histórico, segundo o banco.

Uma recuperação mais consistente, contudo, dependerá de melhora na percepção sobre a situação fiscal e da trajetória dos juros reais. Até que esses fatores avancem, a estratégia do Itaú BBA é concentrar investimentos em empresas com resultados previsíveis, dividendos robustos e menor dependência de uma aceleração da atividade econômica.

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