A Binance retomou de forma gradual os saques neste domingo (1º), depois de informar que recuperou cerca de 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados em um ataque cibernético na sexta-feira (30). A empresa afirmou que a pausa nas retiradas foi uma medida de precaução e que vai liberar os serviços à medida que concluir as verificações de segurança.
Retomada será gradual
Segundo a plataforma, os depósitos continuaram disponíveis durante o incidente e não foram afetados. A primeira fase de reabertura dos saques depende da conclusão de procedimentos de segurança e de prontidão. A empresa não informou um prazo para terminar essa etapa nem detalhou quando todas as redes e ativos estarão novamente disponíveis para retirada.
Em comunicado, a Binance disse que pretende restaurar os saques progressivamente e que os clientes podem acompanhar as atualizações pelo site da plataforma. A companhia acrescentou que as redes e os ativos serão disponibilizados enquanto os serviços passam pelos preparativos para a retomada.
A empresa afirmou ter garantido a cobertura integral dos saldos de dez ativos: BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC. De acordo com a Binance, os 5% ainda não cobertos correspondem a tokens que não estão entre os dez listados. A companhia disse que esses ativos têm menor liquidez no mercado e, por isso, levam mais tempo para ser obtidos na escala necessária.
Empresa diz que cobrirá as perdas
A Binance afirmou que os recursos dos clientes permanecem seguros e que a companhia absorverá o impacto financeiro do roubo. “A Binance absorverá o impacto financeiro dos fundos roubados, não nossos usuários”, declarou no comunicado deste domingo.
Na sexta-feira, a plataforma informou ter trabalhado com parceiros do setor de blockchain — tecnologia associada às operações com criptomoedas — para congelar cerca de US$ 3 bilhões em ativos afetados. A empresa também disse que cobriria as perdas com recursos do fundo de proteção e de outras fontes.
Os saques foram suspensos temporariamente enquanto as equipes da Binance tentavam conter as perdas, avaliar o impacto do ataque, restaurar os serviços afetados e realizar verificações de segurança. A retomada gradual sinaliza que a companhia ainda conduz essas etapas, embora tenha informado que a maior parte do valor atingido já foi recuperada.
Ataque supera caso anterior
Duas empresas especializadas em segurança digital e prevenção de crimes financeiros atribuíram o ataque ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. A ofensiva superaria o roubo de US$ 1,5 bilhão sofrido pela Bybit em fevereiro de 2025, também associado ao governo norte-coreano, segundo a notícia.
O valor de US$ 6,3 bilhões torna o episódio o maior ataque cibernético da história do setor, conforme a informação divulgada sobre o caso. A recuperação de aproximadamente 95% reduz o montante que ainda precisa ser obtido, mas a Binance afirmou que os tokens restantes exigem mais tempo por terem menor liquidez.
A diferença entre a disponibilidade de depósitos e a suspensão temporária dos saques foi destacada pela empresa: clientes podiam continuar depositando ativos, mas não retirar recursos enquanto as equipes avaliavam a segurança dos serviços. Com a reabertura progressiva, a liberação das retiradas ocorrerá conforme a conclusão das verificações, e não de uma só vez para todos os ativos e redes.
Histórico da Binance
Fundada por Changpeng Zhao em Xangai, a Binance transferiu suas operações para fora da China após restrições ao comércio de criptomoedas impostas em 2017. Desde então, passou a operar internacionalmente sem uma sede central única.
Zhao foi condenado nos Estados Unidos em 2025 a quatro meses de prisão, após um acordo com as autoridades para resolver acusações de lavagem de dinheiro. O acordo também o obrigava a deixar a direção da empresa. Neste ano, ele recebeu perdão do presidente Donald Trump.

