O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou no sábado (31) que a família Bolsonaro se tornou um “fardo político” para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi publicada nas redes sociais depois de o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negar participação direta do governo dos EUA nos preparativos para a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Guimarães disse que a proximidade entre Trump e os Bolsonaro começa a gerar desgaste nos Estados Unidos.
Na publicação, o ministro questionou o uso de estruturas do governo americano para receber integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também vinculou o episódio ao debate sobre prioridades de gastos públicos e às eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o início de novembro.
Ministro critica relação com os Bolsonaro
Guimarães afirmou que a relação entre Trump e os familiares de Jair Bolsonaro já provoca questionamentos dentro dos Estados Unidos. Em sua mensagem, mencionou denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo a família, sem detalhar os casos. As acusações foram apresentadas pelo ministro como parte de seu argumento contra o acolhimento dos Bolsonaro por estruturas do governo americano.
“A pergunta que incomoda Trump vem do próprio eleitorado: por que o governo Trump alega não ter recursos suficientes para garantir saúde à população, mas utiliza sua estrutura para acolher uma família estrangeira cercada de denúncias graves envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas?”, escreveu Guimarães.
O ministro disse ainda que o vínculo entre o governo dos Estados Unidos e os Bolsonaro “começa a gerar questionamentos dentro dos EUA e se transforma em mais um problema político para Trump”. Ao fim da publicação, usou as hashtags “DeportTheBolsonaros” e “DeportTheBolsonarosNOW”, que defendem a deportação da família.
Rubio nega participação do governo americano
A manifestação de Guimarães veio após Rubio afirmar que o governo dos Estados Unidos não participou diretamente da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. No mesmo dia, Trump declarou que não tinha planos de se encontrar com o senador na Flórida. O presidente americano, porém, disse que Flávio havia sido tratado “muito mal” e que era bem-vindo nos Estados Unidos.
Flávio viajou acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. Segundo a notícia, o senador deixou o Brasil na terça-feira (27), após o resultado da eleição presidencial. A negativa de Rubio e as declarações de Trump deram novo contexto à discussão sobre a viagem e sobre o eventual apoio americano à família.
Viagem ocorreu em meio a medidas judiciais
A saída do senador aconteceu enquanto havia medidas judiciais relacionadas a seus passaportes. A Polícia Federal pediu a apreensão dos documentos sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciar o resultado da eleição presidencial, em 25 de outubro, às 21h09. O ministro Alexandre de Moraes avalizou o pedido, determinou a apreensão dos passaportes e proibiu Flávio de deixar o país.
O resultado oficial informado para o segundo turno foi de 64.256.232 votos, ou 51,79%, para Lula, e 59.826.041 votos, ou 48,21%, para Flávio Bolsonaro. O senador deixou o país alegando perseguição e afirmando que poderia ser alvo de ações ilegais do Supremo Tribunal Federal (STF).
Debate pode repercutir nas eleições dos EUA
Guimarães relacionou a repercussão do episódio às eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o início de novembro. Na avaliação expressa pelo ministro, a proximidade de Trump com os Bolsonaro pode levar eleitores americanos a questionar o uso de recursos e estruturas públicas, especialmente diante do debate sobre a capacidade do governo de garantir serviços de saúde à população.
A fala do ministro também ocorre em meio a declarações distintas de autoridades americanas sobre Flávio: Rubio negou envolvimento direto do governo na viagem, enquanto Trump disse que o senador era bem-vindo no país, apesar de não prever um encontro com ele na Flórida. As manifestações ampliaram a dimensão política do caso, que envolve a saída do senador do Brasil, decisões judiciais sobre seus documentos e a discussão sobre a relação entre o presidente americano e a família Bolsonaro.

