Busca de argentinos por pacotes turísticos no Brasil cresce 40% com câmbio favorável


A desvalorização do real após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, no último domingo, foi acompanhada por um aumento de cerca de 40% nas buscas de argentinos por viagens aos principais destinos de verão no Brasil. Em outubro, as consultas por pacotes em agências cresceram mais de 40%, enquanto as buscas online por voos, pacotes e hospedagens avançaram perto de 45%, segundo relatos de sites jornalísticos da Argentina. A moeda brasileira mais fraca em relação ao dólar reduz, em termos cambiais, o custo de gastos feitos no Brasil por turistas argentinos.

Câmbio reduz custo em dólares

Nas semanas entre o primeiro e o segundo turnos da eleição brasileira, o dólar oscilou entre R$ 4,90 e R$ 5,00. Depois da vitória de Lula, a cotação chegou perto de R$ 5,60 e, em seguida, passou a ficar em torno de R$ 5,30, conforme os valores apresentados na notícia.

A mudança pode ser observada em um exemplo simples. Com o dólar a R$ 5, uma despesa de R$ 500 no Brasil corresponde a US$ 100. Se a cotação sobe para R$ 5,25 por dólar, os mesmos R$ 500 equivalem a aproximadamente US$ 95. Nesse cenário, o turista que calcula os gastos em dólares desembolsa cerca de 5% menos para pagar uma compra de mesmo valor em reais.

O efeito depende da cotação usada na conversão e do valor efetivamente gasto. A comparação não significa que os preços em reais tenham caído: ela mostra como a variação cambial altera o custo desses preços quando convertidos em dólares. É esse benefício para o orçamento dos viajantes que os relatos da imprensa argentina apontam como um dos fatores por trás do interesse maior por viagens ao Brasil.

Buscas por viagens avançaram em outubro

Os indicadores citados medem consultas e pesquisas, não confirmam que o mesmo número de viagens tenha sido comprado. Em outubro, as consultas por pacotes em agências argentinas aumentaram mais de 40%, enquanto as buscas online por voos, pacotes e acomodações tiveram crescimento próximo de 45%. Os dados indicam uma procura maior por opções de férias no Brasil, mas a fonte não informa quantas reservas foram concluídas.

A desvalorização do real aparece como um estímulo adicional, mas os destinos brasileiros já atraíam turistas argentinos antes desse movimento. O dado mais recente detalhado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) informa que 2,24 milhões de argentinos entraram no Brasil até agosto. A maior concentração ocorreu em janeiro, fevereiro e março, meses associados ao período de verão no país.

O número de entradas até agosto oferece uma referência sobre o fluxo de visitantes, mas não mede o impacto das buscas registradas em outubro. Os dados se referem a períodos diferentes e, por isso, não permitem concluir quantos turistas argentinos viajarão nos meses seguintes nem quanto a procura recente poderá alterar o total de visitantes.

Maioria dos visitantes chegou de avião

Entre os argentinos que visitaram o Brasil, 53% escolheram a via aérea, de acordo com o dado informado na notícia. A proporção foi comparada a 41% em 2025. A fonte não detalha a metodologia, o período exato dessa comparação ou os números absolutos correspondentes a cada percentual.

A participação do transporte aéreo ajuda a dimensionar uma das formas de acesso usadas pelos visitantes, mas não permite, isoladamente, estimar o total de passageiros ou a quantidade de voos. Da mesma forma, o crescimento nas buscas por passagens sinaliza interesse, sem equivaler a um aumento confirmado de embarques.

Para os viajantes, a cotação mais alta do dólar em reais pode tornar mais baratos, quando convertidos, os gastos locais no Brasil. Para o mercado de turismo, os números disponíveis mostram uma alta nas consultas argentinas por pacotes, voos e hospedagem após a desvalorização do real. Ainda não há, nos dados citados, uma medida do efeito desse movimento sobre reservas efetivas ou sobre o fluxo de turistas nos próximos meses.

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