O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a equipe econômica para uma reunião na tarde de quinta-feira (5), depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de cortes e manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não discutiu novas medidas fiscais e que pretende reforçar as regras em vigor.
Durigan disse que a reunião tratou da manutenção dos compromissos fiscais e da conciliação entre a sustentabilidade das contas públicas e as políticas sociais. Segundo o ministro, a equipe da Fazenda e do Ministério do Planejamento deve apresentar a Lula um levantamento do cenário econômico quando o presidente voltar de uma viagem à COP31, na Turquia, prevista para a próxima semana.
Governo fala em reforçar regras fiscais
“Não discutimos medidas específicas. Estamos falando em reforçar as regras vigentes hoje, de modo a garantir o processo de inclusão social, valorização das políticas públicas de maneira sustentável”, afirmou Durigan a jornalistas.
O ministro também declarou que não houve divergências no encontro. Participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do governo e os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega. Durigan afirmou que não há uma solução única para os desafios das contas públicas e defendeu a continuidade dos compromissos fiscais.
“Não nos parece haver fórmula mágica, e sim manutenção dos compromissos fiscais. Então, um compromisso de seguir melhorando as contas públicas, com a manutenção e reforço do que precisa ser reforçado nas regras fiscais atuais”, disse. Ele relacionou esse objetivo à melhora dos indicadores sociais, das políticas públicas e do resultado das contas do governo.
A declaração ocorre em meio a preocupações com o custo de medidas adotadas pelo governo durante a campanha eleitoral. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, o pacote de benefícios pode custar cerca de R$ 300 bilhões. A notícia não informa quais medidas compõem o cálculo nem o período considerado pela estimativa.
Durigan tenta tranquilizar investidores
Durigan afirmou que investidores e empresas não devem esperar mudanças que prejudiquem a previsibilidade ou a clareza das regras. “A mensagem mais importante é: quem investe e quem produz no país não vai ter, neste governo, nenhum problema, nenhuma dificuldade com relação à previsibilidade, regras claras”, declarou.
A manutenção da Selic em 13,75% foi anunciada pelo Copom na quarta-feira (4), interrompendo a sequência de reduções da taxa. O Banco Central informou que a decisão busca assegurar a estabilidade de preços. Segundo a instituição, a medida também “implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego” diante da incerteza provocada por expectativas de inflação mais elevadas.
A Selic é a principal taxa de juros da economia e serve de referência para outras taxas de crédito e aplicações financeiras. A decisão de mantê-la no mesmo nível, portanto, marca uma pausa nos cortes, mas a notícia não informa quando o Copom poderá voltar a reduzi-la.
Expectativa de inflação supera teto da meta
As projeções para a inflação também foram citadas como parte do cenário econômico. O primeiro boletim Focus divulgado após a vitória de Lula, na terça-feira (3), elevou a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil. A previsão para 2026 passou de 5,19% para 5,22%.
O número projetado ficou acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. A elevação das expectativas foi mencionada pelo Banco Central ao explicar a decisão sobre os juros. O governo, por sua vez, pretende apresentar a Lula um levantamento econômico após a viagem presidencial, enquanto Durigan afirma que a orientação da equipe é reforçar as regras fiscais atuais, sem anunciar medidas novas na reunião.

