Ibovespa futuro avança com vitória democrata nos EUA e expectativa pelo Copom


O Ibovespa Futuro subia na manhã desta quarta-feira (4), enquanto investidores avaliavam a vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos e aguardavam a decisão do Banco Central do Brasil sobre os juros. Às 9h03, no horário de Brasília, o índice avançava 0,63%, aos 169.065 pontos. No mercado brasileiro, a expectativa predominante era de manutenção da Selic em 13,75%, embora alguns economistas ainda projetassem um corte de 0,25 ponto percentual.

Decisão do Copom concentra atenção

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros, era um dos principais pontos no radar dos investidores no Brasil. A maioria esperava que a Selic permanecesse em 13,75%, mas havia também projeções de redução de 0,25 ponto percentual. A diferença entre esses cenários mantinha a política monetária no centro das negociações.

O possível alívio vindo do exterior encontrava limites em preocupações com a situação fiscal brasileira, na pressão recente sobre o câmbio e na desancoragem das expectativas de inflação apontada no último boletim Focus. Esse relatório reúne projeções de instituições do mercado. Segundo a Ágora Investimentos, esses fatores mantêm a curva de juros sob atenção.

A curva de juros representa as taxas negociadas para diferentes prazos e ajuda a mostrar como o mercado avalia a trajetória dos juros. Com a decisão do Copom ainda pendente, os investidores acompanhavam tanto a possibilidade de manutenção quanto as projeções de corte, além dos fatores domésticos citados pela Ágora. O movimento do índice futuro ocorria, portanto, em meio à combinação de notícias externas e incertezas locais.

Vitória democrata movimenta mercados

Nos Estados Unidos, os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Deputados. O resultado foi descrito como um revés para o presidente Donald Trump: o partido venceu em redutos republicanos e obteve ganhos em distritos considerados conservadores havia muito tempo. A amplitude das vitórias indicou uma mudança no cenário político e pode ter surpreendido parte dos investidores.

Uma das preocupações associadas à nova composição do Congresso é a possibilidade de maior escrutínio regulatório sobre o setor de inteligência artificial. O receio entre investidores é que uma supervisão mais rigorosa prejudique o crescimento rápido da área. A notícia política também foi acompanhada pelos mercados dos Estados Unidos, onde os contratos futuros operavam em alta.

O Dow Jones Futuro avançava 1,58%, enquanto o S&P 500 subia 1,16%. O Nasdaq, índice que reúne empresas de tecnologia, tinha valorização de 0,96%. Na Ásia-Pacífico, as bolsas fecharam em direções opostas. Os investidores da região avaliavam a projeção de vitória democrata nas duas casas do Congresso americano, enquanto Trump aparentemente não contestava os resultados.

Dólar e commodities têm movimentos distintos

Na B3, o dólar futuro recuava 0,57%, cotado a R$ 5,487. O movimento ocorria no mesmo pregão em que o Ibovespa Futuro avançava, mas os dados disponíveis não indicavam que a alta do índice brasileiro fosse suficiente para afastar as preocupações com o câmbio e as contas públicas mencionadas pela Ágora.

Entre as commodities, o petróleo subia. Investidores aguardavam os próximos passos de Washington na guerra com o Irã, em meio à mudança de controle do Congresso dos Estados Unidos. A cotação do minério de ferro na China também fechou em alta, mas por motivos diferentes: houve cobertura de posições vendidas e expectativa de que as siderúrgicas chinesas iniciem a reposição de estoques antes do feriado do Ano Novo Lunar.

Os movimentos mostram que os mercados reagiam a fatores diversos na abertura do dia. A política americana influenciava as bolsas e as expectativas sobre a regulação da inteligência artificial; no Brasil, a decisão do Copom e os riscos fiscais, cambiais e de inflação mantinham o foco nos juros. Petróleo e minério, por sua vez, respondiam a acontecimentos e perspectivas próprios.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Um trunfo manco impõe riscos à estratégia econômica

Após as eleições intercalares nos Estados Unidos, Donald Trump entrou no período final de seu mandato com os democratas...

Quem leu, também se interessou