O petróleo Brent superou US$ 111 por barril na manhã desta terça-feira (20), no maior preço em cinco meses, com a redução da oferta no Golfo Pérsico e a intensificação dos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz. A alta pode pressionar os custos de importação de combustíveis no Brasil, que depende de compras externas para atender a parte do consumo de diesel.
Por volta das 7h40, no horário de Brasília, o contrato do Brent para dezembro era negociado a US$ 111,40, avanço de 1,69% no dia. O petróleo WTI também subia e era cotado a US$ 100,77. Os preços refletem o risco de redução da oferta em uma região importante para o mercado internacional.
Oferta menor e tensão no Golfo
Segundo a consultoria Kpler, a oferta de petróleo do Golfo Pérsico caiu para 8,5 milhões de barris por dia naquela semana. Antes, superava 20 milhões de barris diários. A diferença indica uma redução expressiva no volume disponível na região, enquanto os ataques a navios aumentam a preocupação com o transporte de petróleo e derivados.
O Irã intensificou ataques a navios-tanque e embarcações comerciais em meio ao impasse sobre o Estreito de Ormuz. Rebeldes houthis também atacaram alvos na Arábia Saudita, segundo o Commerzbank. A instituição avaliou, em nota, que a estratégia iraniana de pressionar os preços do petróleo “parece surtir efeito”. O banco associou o cálculo político às vésperas das eleições americanas de meio de mandato.
A escalada da cotação ocorre apesar das tentativas dos Estados Unidos de reduzir os preços. As medidas incluíram o alívio de sanções à frota russa, mas não tiveram efeito, segundo a notícia. O Commerzbank também apontou que a oferta de diesel russo continua limitada por ataques a refinarias na Ucrânia. Esse quadro amplia a diferença entre o preço do diesel e o do petróleo.
Como a alta chega ao Brasil
O impacto para o Brasil passa principalmente pelo diesel importado. Entre janeiro e agosto de 2026, o país comprou do exterior 9,6 bilhões de litros do combustível, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Cerca de um terço do diesel consumido no país tem origem importada, o que deixa o mercado brasileiro exposto a mudanças nos preços internacionais.
Quando o petróleo fica mais caro, aumentam os custos de importação, transporte e energia no país. Esse mecanismo pode repercutir nos preços da gasolina e do diesel e contribuir para a inflação. Em 9 de outubro, quando o Brent avançou 4,37%, para US$ 102,31 por barril, analistas de mercado já apontavam esses possíveis efeitos.
A Petrobras respondeu por 28% do volume de diesel importado entre janeiro e agosto, cerca de 2,7 bilhões de litros. Ipiranga, Vibra e Raízen dividiram o restante das compras externas. A Rússia está entre os fornecedores: o Brasil é o segundo maior comprador de diesel russo, segundo as informações citadas na notícia.
Exportações também são afetadas
O Brasil também exporta petróleo bruto. A alta internacional, portanto, se relaciona com dois movimentos distintos para o país: pode encarecer a compra de combustíveis no exterior e, ao mesmo tempo, elevar o valor do petróleo exportado. O setor ajuda a explicar o recorde da balança comercial brasileira em 2026, conforme a notícia.
O efeito final sobre o mercado brasileiro depende, entre outros fatores mencionados, da evolução da oferta externa de diesel e da cotação do petróleo. Por enquanto, a redução da oferta no Golfo Pérsico, os ataques a embarcações e a limitação das vendas russas de diesel mantêm a pressão sobre os preços internacionais.

