PIB cresce 0,5% em agosto, mas consumo segue preocupando


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% em agosto ante julho, depois de dois meses consecutivos de retração. O avanço, registrado pelo Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado na segunda-feira (19), foi impulsionado pela indústria extrativa e pelos serviços, mas ocorreu com consumo das famílias em desaceleração.

Na comparação com agosto de 2025, a atividade econômica avançou 1,5%. No trimestre móvel encerrado em agosto, o PIB cresceu 1,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Já a expansão acumulada em 12 meses chegou a 1,8%.

Os números indicam uma recuperação mensal, mas os dados de demanda e as projeções para os próximos anos apontam um ritmo moderado. No Boletim Focus, pesquisa do Banco Central que reúne estimativas de economistas, a previsão de crescimento do PIB em 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. Para 2027, a projeção recuou de 1,40% para 1,32%.

Indústria extrativa e serviços sustentam avanço

Segundo a FGV, a indústria extrativa e o setor de serviços contribuíram para a alta mensal de agosto. Pela ótica da demanda, as exportações e os gastos do governo também tiveram contribuição positiva e compensaram parte da perda de força do consumo das famílias.

Claudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre), afirmou que o resultado mostra capacidade de reação da atividade. “Em um contexto de inflação persistente, que obriga uma política monetária contracionista, a economia apresenta capacidade de recuperação”, disse.

As exportações de bens e serviços cresceram 2,5% no trimestre móvel encerrado em agosto. O resultado foi impulsionado principalmente pelas vendas externas de serviços, bens intermediários e produtos agropecuários. No mesmo período, as importações aumentaram 6,4%, acima da alta de 4% registrada no trimestre anterior.

O investimento também avançou. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, construções e outros ativos, subiu 1,6% no período, com impulso principalmente da construção. A taxa de investimento ficou em 19,1%. Em valores correntes, a FGV estima que o PIB acumulado de janeiro a agosto de 2026 tenha somado R$ 9,020 trilhões.

Consumo das famílias cresce no menor ritmo desde 2025

Apesar da retomada mensal do PIB, o consumo das famílias cresceu apenas 0,4% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foi a menor expansão desde outubro de 2025.

Os bens duráveis sustentaram o resultado, enquanto os produtos não duráveis e semiduráveis contribuíram negativamente. O consumo de serviços teve contribuição próxima de zero. A composição mostra que a alta da atividade não foi acompanhada por um avanço amplo dos gastos das famílias.

Outro indicador reforçou o quadro de recuperação moderada. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), usado como uma prévia do PIB, subiu 0,3% em agosto, em linha com as expectativas do mercado. A indústria avançou 0,9% e os serviços, 0,2%; a agropecuária recuou 1,8%.

Mesmo com o resultado mensal positivo, o IBC-Br acumulou queda de 0,6% no trimestre encerrado em agosto. O recuo sinaliza perda de ritmo da atividade no período, em contraste com a alta registrada na comparação anual pelo Monitor do PIB.

Projeções refletem juros e inflação

As estimativas do Focus também mostram um cenário de inflação acima do teto da meta e juros elevados. Para 2026, os economistas projetam inflação de 5,22%, acima do limite de 4,5%. A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, no encerramento do ano é de 13,25%.

O Banco Central prevê crescimento de 1,8% para a economia brasileira em 2026, de acordo com o Relatório de Política Monetária de setembro. A projeção da instituição fica próxima das estimativas do mercado, que foram revisadas para baixo no Focus.

Assim, o avanço de agosto reverteu duas quedas mensais consecutivas, mas os dados trimestrais, o consumo familiar mais fraco e as projeções de crescimento menores indicam que a retomada ainda convive com obstáculos. A FGV atribuiu a contribuição positiva do mês à indústria extrativa, aos serviços, às exportações e ao consumo do governo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Plantio da soja 2026/27 alcança 40% da área no Brasil

O plantio da safra brasileira de soja 2026/27 alcançou 40% da área estimada até a última quinta-feira, informou a...

Quem leu, também se interessou