Os ativos brasileiros devem abrir a semana em forte queda nesta segunda-feira (26), após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial. No pré-mercado nos Estados Unidos, o EWZ, fundo negociado em bolsa que acompanha o índice MSCI Brazil, recuava 26%, enquanto contratos de derivativos apontavam desvalorização do real e sinalizavam preocupação dos investidores com as contas públicas e o câmbio.
Mercado reage à eleição
Os contratos de derivativos negociados na bolsa CME indicavam o dólar a R$ 5,55. Embora não sejam uma cotação direta da moeda, os preços apontavam para uma perda de valor do real superior a 10% em relação ao fechamento de sexta-feira.
“Os mercados não estavam preparados para isso”, disse à Bloomberg Anna Wu, estrategista de investimentos e fundadora da Floodlines Research. Na avaliação dela, a reação não se limita a um movimento impulsivo: os investidores também consideram os riscos ligados à dívida pública brasileira e à desvalorização cambial.
Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, afirmou que o resultado contrariou o cenário-base do mercado e foi a maior surpresa da eleição. Segundo ele, os preços devem passar por um ajuste expressivo, com volatilidade, pressão de baixa na Bolsa, desvalorização do real e alta dos juros futuros. A intensidade e a duração dos movimentos dependerão, entre outros fatores, dos sinais do novo governo sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal.
A curva de juros representa as taxas negociadas para diferentes prazos. Uma abertura da curva significa que essas taxas sobem, o que pode encarecer o crédito e elevar o custo de financiamento para empresas e consumidores. A reação no mercado de câmbio também pode afetar o preço de produtos importados, embora a fonte não estime o impacto sobre os preços ao consumidor.
Resultado e compromissos do dia
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos. A eleição foi marcada por um adiamento de última hora no fechamento das urnas, atribuído a problemas no deslocamento de eleitores.
Flávio Bolsonaro disse que não reconhece o resultado e que pedirá a anulação do pleito. Ele argumentou que a prorrogação de duas horas no horário de fechamento das urnas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), desrespeitou as regras durante a votação. Ao decidir pela extensão, Zanin afirmou que as duas campanhas haviam feito pedidos nesse sentido.
Na agenda econômica brasileira, o Tesouro divulga às 6h o relatório mensal da dívida pública federal referente a setembro. Às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) publica a sondagem do consumidor de outubro. O Banco Central (BC) divulga o Relatório Focus às 8h25, com projeções do mercado para os principais indicadores econômicos, e apresenta às 8h30 uma nota sobre o setor externo de setembro, para a qual a previsão é de US$ 5 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) publica a balança comercial semanal às 15h.
Também começa uma semana com mais balanços de empresas listadas na Bolsa referentes ao terceiro trimestre. O destaque desta segunda-feira é a Gerdau. Analistas do Itaú BBA avaliam que o desempenho da companhia no Brasil deve permanecer estável e contribuir para mais um trimestre de crescimento operacional.
Tarifas e diesel nos Estados Unidos
Na agenda internacional, os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira (23) mudanças na lista de produtos canadenses sujeitos a tarifas de 50%. Saíram da relação itens como chapas de madeira compensada, produtos de papel, máquinas e equipamentos de refrigeração. Válvulas, carpetes e resíduos foram incluídos e passarão a ser tarifados a partir de 30 de outubro.
As tarifas foram impostas com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, em agosto, durante uma disputa comercial entre os dois países após o fracasso das negociações. Em setembro, o governo americano já havia alterado a lista de produtos afetados.
Separadamente, dados de rastreamento de navios divulgados na sexta-feira indicaram que o primeiro carregamento de diesel russo com destino aos Estados Unidos desde um acordo entre Moscou e o presidente americano Donald Trump seguia em um navio-tanque rumo a Nova York. Trump anunciou o acordo neste mês como parte dos esforços para conter a alta dos preços do diesel antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

