Taxas dos DIs fecham semana com alta acumulada superior a 250 pontos-base


As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram nesta sexta-feira, 30 de outubro, e fecharam a semana após o segundo turno da eleição presidencial com altas acumuladas de até 259 pontos-base. O movimento refletiu o ajuste de posições dos investidores após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e as incertezas sobre a política fiscal do próximo governo, que assume em 2027.

Juros futuros acumulam alta na semana

No fim da tarde, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028 estava em 14,5% ao ano, ante 14,366% no ajuste da véspera. A taxa para janeiro de 2035 alcançou 15,33%, ante 15,234%. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.

Na semana posterior ao segundo turno, os juros desses contratos avançaram 164 pontos-base e 259 pontos-base, respectivamente. Os DIs são contratos negociados no mercado que expressam as expectativas para as taxas de juros em diferentes prazos. Por isso, suas cotações podem reagir a mudanças nas projeções para a inflação, a política monetária e as contas públicas.

A alta ocorreu depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro, que, segundo a notícia, era considerado favorito entre investidores da Faria Lima. Com o resultado, o mercado passou a acompanhar possíveis indicações para os principais ministérios do futuro governo, entre eles o da Fazenda, e a buscar sinais sobre os rumos da política fiscal.

Contas públicas entram no foco

O equilíbrio das contas públicas foi um tema recorrente entre investidores ao longo da semana. A preocupação é que a situação fiscal influencie o câmbio e as expectativas de inflação, fatores que também afetam o caminho dos juros no país.

Dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira mostraram que o setor público consolidado teve déficit nominal de R$ 113 bilhões em setembro. Esse indicador inclui os gastos com juros da dívida pública. No acumulado de 12 meses até setembro, o déficit chegou a R$ 1,275 trilhão, equivalente a 9,51% do Produto Interno Bruto (PIB), medida que representa o total de bens e serviços produzidos no país.

José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, afirmou em relatório que “o problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor”. Ele também alertou que, além do governo, “as famílias e as empresas estão muito endividadas”.

As preocupações com a situação fiscal levaram o mercado a concentrar parte das apostas na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Antes da eleição, os preços indicavam maior probabilidade de continuidade do ciclo de cortes. Depois do resultado, ganhou força a expectativa de que o Banco Central mantenha os juros na próxima reunião.

Rafael Sueishi, responsável pela área de renda fixa da Manchester Investimentos, disse que a eleição não alterou de imediato os fundamentos da inflação ou da atividade econômica. Segundo ele, mudou a percepção de risco sobre a trajetória das contas públicas e a continuidade da política fiscal, com possíveis efeitos sobre o câmbio, a curva de juros e as expectativas de inflação.

Emprego e decisão do Banco Central

Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre. Foi o menor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012, e o dado ficou em linha com as expectativas dos economistas.

O rendimento real habitual dos trabalhadores permaneceu em R$ 3.790 em relação ao trimestre anterior e cresceu 3,6% na comparação anual. Para António Ricciardi, economista do Banco Daycoval, o resultado reforça a expectativa de desaceleração gradual do mercado de trabalho ao longo do ano. A projeção do banco é de que a taxa de desemprego termine em 5,2%.

Na quarta-feira seguinte, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno. A autoridade monetária deverá considerar os dados recentes da economia e as mudanças nas expectativas e no câmbio desde a eleição. Na semana, o dólar avançou mais de 40 centavos de real.

No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, caíram em meio à venda global de ações de empresas de tecnologia e à procura por ativos considerados mais seguros. Às 16h42, a taxa do Treasury de dez anos recuava 6 pontos-base, para 4,925%.

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