Brasil deve receber proposta dos EUA sobre tarifas até a próxima semana, diz ministro


O governo brasileiro espera receber dos Estados Unidos, entre esta semana e o início da próxima, uma proposta para negociar as tarifas adicionais aplicadas a produtos do Brasil. A previsão foi apresentada nesta terça-feira (3) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, com base em um compromisso assumido por Washington em reunião realizada em 30 de setembro.

Segundo o ministro, os Estados Unidos ainda preparam o documento e não anteciparam os termos que pretendem apresentar. O texto deverá indicar setores nos quais o governo americano quer reduzir tarifas; depois, o Brasil poderá responder com suas próprias condições. As conversas informais entre os dois governos continuaram no período, afirmou Elias Rosa.

Proposta deve indicar setores de interesse dos EUA

O ministro descreveu a negociação como um processo de apresentação de propostas e contrapropostas. “Quando negociamos um acordo dessa natureza, uma parte apresenta uma proposta e nós fazemos as nossas ofertas”, disse a jornalistas. Segundo ele, os americanos indicarão os setores de seu interesse, e o Brasil responderá de acordo com o que considerar conveniente.

Até o momento, não há detalhes públicos sobre quais atividades econômicas poderão ser incluídas no documento nem sobre as condições que os Estados Unidos pretendem exigir. Elias Rosa afirmou que não houve antecipação dos termos. Assim, o recebimento da proposta deverá abrir a etapa em que os dois lados apresentam suas demandas, sem que o ministro tenha indicado prazo para uma conclusão das negociações.

“A informação que eu tenho é que eles estão preparando o documento para nos encaminhar”, afirmou. Ele acrescentou que, apesar das discussões políticas, os governos mantiveram conversas informais e que os americanos estão trabalhando na proposta.

Sobretaxas atuais podem ser acumuladas

A negociação ocorre depois de os Estados Unidos deixarem de aplicar o tarifaço anterior, que chegou a 50% sobre determinados produtos brasileiros. No lugar daquela medida, Washington instituiu novas sobretaxas, que continuam em vigor segundo as informações apresentadas pelo ministro.

Uma delas é uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos do Brasil, justificada pelos Estados Unidos com alegações de práticas comerciais desleais. Há também uma sobretaxa de 12,5%, aplicada ao Brasil e a outros 59 países sob a justificativa de combater o trabalho forçado. As duas cobranças podem ser somadas, o que significa que um produto sujeito a ambas pode enfrentar as duas tarifas adicionais.

A proposta americana poderá tratar de setores nos quais Washington busca redução de tarifas, mas o ministro não detalhou como as medidas atuais se relacionariam com um eventual acordo. Também não informou quais produtos brasileiros estão no foco das conversas. As condições concretas dependem, portanto, do conteúdo do documento e da resposta que o governo brasileiro apresentar.

Ministro afasta influência das eleições

Elias Rosa negou que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos tenham impacto sobre a negociação comercial. O pleito alterou o cenário político para o presidente Donald Trump: os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado, revertendo uma situação que favorecia a governabilidade do presidente.

O site americano Axios classificou o resultado como um “tsunami azul”, expressão usada para descrever uma vitória democrata mais ampla do que a chamada “onda azul”. A cor azul é tradicionalmente associada ao Partido Democrata. Apesar da mudança na composição do Congresso, o ministro afirmou que o Brasil seguirá conduzindo seu trabalho de negociação e que cabe aos eleitores americanos definir o resultado das eleições.

“O Brasil segue o seu percurso, seu trabalho, temos muito trabalho a fazer, e é o povo americano que define as eleições”, disse. A expectativa do governo brasileiro, por ora, é receber o documento prometido e avaliar as demandas dos Estados Unidos antes de apresentar suas próprias condições.

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