O Bradesco BBI reduziu as projeções de lucro para BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3) em uma revisão de cenário para o mercado financeiro. O banco considera juros elevados e Selic de 12,5% em 2027, premissas que afetam as estimativas de atividade e receitas das três empresas.
Estimativas menores para 2027
Os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes cortaram as projeções de lucro líquido para 2027 em 6% para o BTG Pactual, 9% para a XP e 5% para a B3. A revisão incorpora expectativas mais baixas para o volume médio diário de negociação, conhecido pela sigla ADTV, as receitas de banco de investimento e as taxas de performance.
O ADTV representa o valor médio negociado diariamente no mercado. Para a B3, a expectativa de menor volume de negociação contribuiu para a avaliação de crescimento mais fraco dos lucros. No caso das outras instituições, as premissas revistas para receitas de banco de investimento e taxas de performance também pesaram nas estimativas.
A projeção de Selic em 12,5% em 2027 integra o cenário mais conservador considerado pelo BBI. A taxa básica de juros influencia as condições do mercado financeiro e, nesse relatório, acompanha premissas menores para algumas fontes de receita das empresas analisadas. A revisão, porém, não levou o banco a adotar a mesma recomendação para as três ações.
B3 perde recomendação de compra
O BBI rebaixou a recomendação para a B3 de compra para neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 16. A mudança reflete a perspectiva de desaceleração dos volumes negociados e de crescimento mais fraco dos lucros. O banco também avalia que a companhia não tem catalisadores claros para impulsionar os resultados no curto e no médio prazo.
Preço-alvo é a referência de valor que os analistas atribuem ao papel em suas estimativas. A recomendação neutra indica que, na avaliação do BBI, a ação deixa de estar entre as opções preferidas do banco, embora o relatório não detalhe uma expectativa de desempenho para além das projeções e dos fatores citados.
Com a decisão, a B3 fica fora das preferências do BBI no setor. A revisão combina a redução da estimativa de lucro para 2027 com a leitura de que os volumes e o crescimento dos resultados devem avançar em ritmo mais fraco. A instituição não apontou catalisadores de curto ou médio prazo que alterem essa perspectiva.
BTG é a principal escolha do banco
O BTG Pactual continua como a principal escolha do BBI entre as empresas analisadas. O banco manteve recomendação de compra para BPAC11 e preço-alvo de R$ 64. Apesar do corte de 6% na projeção de lucro líquido para 2027, os analistas consideram que a instituição tem maior resiliência de resultados em diferentes cenários de juros.
A avaliação diferencia o BTG das demais empresas: a estimativa de lucro foi reduzida, mas a recomendação de compra permaneceu. A resiliência citada pelo BBI sustenta a preferência pelo papel mesmo diante do cenário mais conservador adotado para o setor.
XP mantém recomendação de compra
Para a XP, o BBI manteve recomendação de compra para os BDRs, recibos negociados no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras, e preço-alvo de R$ 104. A estimativa de lucro líquido para 2027 caiu 9%, a maior redução percentual entre as três companhias.
Segundo os analistas, o valuation descontado da XP já incorpora boa parte dos desafios de curto prazo. Valuation é a avaliação do preço de um ativo em relação às estimativas de valor da empresa. O BBI vê o papel como uma oportunidade tática de investimento, enquanto mantém o BTG como sua escolha principal e retira a B3 de suas preferências.

