Equatoriana exporta US$ 19 milhões em chocolate por ano


A República del Cacao, fabricante equatoriana de chocolates feitos com cacau fino de aroma, registrou receita de US$ 21,6 milhões em 2025, alta de 36% sobre o ano anterior. A empresa atribui o crescimento à expansão das exportações e à manutenção do abastecimento durante a disparada do preço internacional do cacau, que chegou a até US$ 12.500 por tonelada.

Fundada pelos irmãos Gonzalo e Martín Chiriboga, a companhia nasceu depois que eles encontraram, em Paris, chocolates de marcas internacionais produzidos com cacau de Guayaquil. Embora conhecessem a tradição cacaueira do Equador, que se estende por mais de três séculos, surpreenderam-se ao ver a matéria-prima do país usada por fabricantes estrangeiros. A empresa foi criada para oferecer chocolates feitos com essa variedade também aos consumidores equatorianos.

Exportações sustentam o crescimento

Em 2025, as vendas internacionais somaram US$ 19 milhões, ou 88% da receita total, segundo dados da Superintendência de Companhias, Valores e Seguros do Equador. A empresa exportou mil toneladas de chocolate para mais de 20 países, entre eles Estados Unidos, Malásia, Itália, Holanda e Canadá. O portfólio reúne 22 produtos.

De acordo com a Associação Nacional de Exportadores e Industriais de Cacau do Equador (Anecacao), a República del Cacao ocupa a primeira posição no país em exportações de chocolate. Sua participação é de 38% do valor exportado e 42% do volume.

A companhia divide suas operações em duas unidades. A B2C, sigla para vendas a consumidores, mantém seis boutiques em Quito e presença em 12 aeroportos da América Latina. A B2B, que atende empresas, chefs, confeitarias, restaurantes e indústrias de alimentos, responde pela maior parte do faturamento. Sua linha profissional, criada em 2014, inclui gotas e discos de chocolate destinados integralmente à exportação.

Ao longo de 2025, a empresa participou de 48 eventos internacionais, promoveu mais de 30 workshops e capacitou mais de 800 profissionais da gastronomia. Também mantém uma rede de mais de 20 chefs parceiros e 340 clientes ativos no mundo.

Abastecimento em meio à alta do cacau

Paulina Páez, gerente-geral da unidade B2B, assumiu a liderança da área há mais de dois anos. Antes, comandou equipes de estratégia, finanças e administração em diferentes setores do Equador. Em 2021, passou a dirigir as áreas financeira e de recursos humanos da empresa; em 2024, assumiu a estratégia de negócios e a expansão para outros mercados.

“Sou responsável por toda a parte de abastecimento, desde a compra de matérias-primas até sua transformação e posterior comercialização nos mercados nacional e internacional”, afirma Páez. Ela diz que assumiu a unidade em um período difícil para o setor: o preço da tonelada de cacau passou de US$ 2.700 para picos entre US$ 11 mil e US$ 12,5 mil em 2024 e 2025, em uma alta impulsionada principalmente pela queda da produção africana.

“O custo do cacau quintuplicou. Não se tratava apenas de repassar os preços, mas também de enfrentar a complexidade do abastecimento”, afirma a executiva. Segundo ela, a empresa conseguiu preservar o fornecimento por meio de relações construídas com os produtores. “Sempre pagamos acima do preço de mercado. Além disso, ao oferecermos capacitação e ferramentas, eles nos dão preferência na venda do cacau.”

A companhia capacitou 80 produtores em 2025, com orientação sobre poda, adubação e manejo do solo. Eles estão em Vinces, na província de Los Ríos, onde fica o principal centro de recebimento de cacau. A empresa também oferece ferramentas e acompanha iniciativas de inclusão bancária e formalização dos agricultores.

Produção local e novas exigências

O cacau e seus derivados representam 59% das matérias-primas utilizadas pela empresa. Desse total, 80% vêm do Equador; o restante é comprado do Peru, do México e da República Dominicana. O leite corresponde a 20% dos insumos e vem integralmente da região serrana equatoriana. Outros 20% são de açúcar produzido em Imbabura, e o 1% restante inclui ingredientes como milho orgânico local.

A transformação ocorre em uma fábrica no sul de Quito. O cacau é recebido em Baba, fermentado e processado no centro de Vinces e, depois, levado à capital para a etapa final. A empresa também opera um centro de recebimento em Los Sachas, na Amazônia. O modelo busca manter no Equador as etapas de produção que agregam valor ao produto.

Para atender mercados internacionais, a República del Cacao possui certificações de segurança alimentar, boas práticas de fabricação, padrões Halal e Kosher, além de certificações ligadas à segurança da cadeia de abastecimento e à ausência de trabalho infantil. A empresa também se prepara para o Regulamento Europeu sobre Desmatamento, que entrará em vigor em 2027 e exigirá rastreabilidade completa de produtos exportados à União Europeia. Em 2025, distribuiu mais de 7 mil mudas enxertadas de cacau fino de aroma a produtores parceiros.

A empresa tem certificação Empresa B desde 2020 e foi recertificada em 2023. Mulheres são 46% dos mais de 140 funcionários e ocupam mais de 60% dos cargos gerenciais. Para janeiro de 2027, a companhia prevê apresentar um novo produto na Sirha, convenção do setor gastronômico em Lyon. A estratégia, segundo Páez, é continuar desenvolvendo chocolates com ingredientes equatorianos, como o chocolate branco com milho torrado que já integra o portfólio.

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