As taxas dos títulos de curto prazo do Tesouro Direto recuaram na abertura desta sexta-feira (30), último pregão da semana da eleição presidencial, enquanto os vencimentos mais longos ficaram praticamente estáveis. O movimento ocorreu após fortes altas nos juros dos papéis ao longo da semana, em meio à expectativa por sinais sobre a política fiscal do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Recuo moderado nas taxas
Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 teve a maior queda inicial: recuou 9 pontos-base, para IPCA + 7,89%, ante IPCA + 7,98% no fechamento de quinta-feira (29). Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. Nos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 caiu 6 pontos-base, de 14,95% para 14,89% ao ano.
As demais oscilações foram menores. O Prefixado 2032 recuou 3 pontos-base, para 15,38%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu 2 pontos-base, para 15,23%. Já os títulos de prazo mais longo ligados à inflação avançaram 1 ponto-base: o IPCA+ 2050 foi a IPCA + 7,27%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045, a IPCA + 7,47%.
Na tabela de taxas divulgada para a abertura, o Tesouro Prefixado 2029 aparecia a 14,93%, e o Prefixado 2032, a 15,40%. Para os papéis indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as taxas indicadas eram de IPCA + 7,93% para o título de 2032 e IPCA + 7,24% para o de 2050. As cotações dos títulos podem variar ao longo do pregão.
Alta acumulada após a eleição
Apesar das quedas registradas na sexta, os juros dos títulos prefixados acumularam alta expressiva desde o fechamento de 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno. A taxa do Prefixado 2032 avançou de 12,89% para 15,38%, uma elevação de 2,49 pontos percentuais. No mesmo intervalo, o Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu 2,35 pontos, e o Prefixado 2029, 2,13 pontos.
Nos títulos vinculados à inflação, as altas acumuladas na semana ficaram entre 0,85 e 1,17 ponto percentual. O IPCA+ 2032 passou de IPCA + 6,72% para IPCA + 7,89%. No caso do IPCA+ 2050, a taxa avançou de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,27%.
A pressão começou na segunda-feira, primeiro pregão depois da reeleição de Lula, quando os títulos prefixados registraram a maior alta diária da série histórica. Durante a semana, o Tesouro Nacional cancelou todos os leilões de venda de títulos previstos para o período e realizou três recompras, que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões.
Mercado aguarda definições fiscais
Investidores continuam à espera de informações sobre a política fiscal do quarto mandato. Segundo relatos citados na notícia, a escolha do ministro da Fazenda não deve ocorrer antes de dezembro. Na quinta-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, negou que o governo discuta cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos isentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Ele afirmou que não há medida do tipo em análise no momento.
Também na quinta, o Banco Central informou que a dívida bruta do país chegou a 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, maior patamar em mais de cinco anos. “Não vemos nenhuma medida concreta do governo para controlar os gastos públicos”, afirmou Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management.
Na manhã de sexta-feira, o dólar subia 0,51%, a R$ 5,415, em um dia de formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência calculada pelo Banco Central. Os juros futuros também abriram em alta. Na sessão anterior, o Ibovespa caiu 1,06%, aos 169.186 pontos, e emendou a quarta queda consecutiva. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, em linha com o esperado.
No exterior, os índices futuros de Nova York recuavam. O Nasdaq caía cerca de 2,5%, após resultados abaixo do esperado de Amazon e Intel. O petróleo Brent subia para cerca de US$ 117,70 por barril, depois de um ataque a um navio-tanque no Estreito de Ormuz e de novos ataques dos houthis à Arábia Saudita.

