VRTA11 reforça dividendos equivalentes a 127% do CDI


O fundo imobiliário VRTA11, que investe em recebíveis imobiliários, projeta distribuir entre R$ 0,85 e R$ 0,95 por cota no segundo semestre de 2026. A gestão usa R$ 0,85 como valor-base para os pagamentos e afirma que pretende preservar a regularidade dos rendimentos diante das oscilações da inflação.

Em setembro, o fundo pagou R$ 0,85 por cota. Considerado o preço de fechamento de R$ 72,36, o valor correspondeu a um dividend yield mensal de 1,17% — indicador que relaciona o rendimento distribuído ao preço da cota. Segundo o relatório gerencial, o pagamento equivaleu a cerca de 127% do CDI, após ajuste tributário de 15%, conhecido como gross-up.

Reserva pode ajudar a suavizar os pagamentos

O VRTA11 encerrou setembro com uma reserva acumulada de R$ 1,14 por cota. De acordo com a gestão, esse montante pode complementar os dividendos mensais e reduzir o impacto de eventuais oscilações nos resultados. A reserva, portanto, é um recurso que pode ser usado para dar maior estabilidade às distribuições, embora o fundo não tenha informado que utilizará um valor específico dela.

A receita do fundo no mês foi de R$ 12,49 milhões. No fechamento de setembro, havia R$ 51,4 milhões em caixa, quantia equivalente a 3,9% do patrimônio líquido. A gestão informou que os recursos serão destinados ao pagamento dos dividendos e à compra de novos certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), títulos de crédito ligados a recebíveis do setor imobiliário.

Outro indicador apresentado no relatório foi o preço sobre valor patrimonial (P/VP), que terminou setembro em 0,85 vez. Esse nível indica que, naquele momento, as cotas eram negociadas no mercado por um preço inferior ao valor patrimonial dos ativos atribuídos a cada cota.

Inflação afeta os CRIs indexados ao IPCA

A gestão relacionou a perspectiva de estabilidade dos pagamentos ao acompanhamento da carteira, das projeções de resultado e da reserva acumulada. Segundo o relatório, a inflação de setembro acelerou em relação ao mês anterior, com alta de 0,82% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A variação do IPCA pode influenciar os resultados de fundos com recebíveis imobiliários porque parte dos CRIs é indexada à inflação. No caso desses títulos, o efeito da variação do índice pode aparecer com atraso de dois a três meses. O relatório também aponta que variações negativas do IPCA registradas em meses anteriores podem reduzir os rendimentos dos títulos ligados ao indicador.

Ao apresentar a projeção para o segundo semestre de 2026, a gestão afirmou: “Diante dos cenários projetados, estimamos manter os rendimentos no intervalo entre R$ 0,85 e R$ 0,95 por cota no segundo semestre de 2026, considerando como referência o valor-base de R$ 0,85 por cota”.

Fundo compra novos créditos e monitora operações

Em setembro, o VRTA11 ampliou posições em três operações de crédito: investiu R$ 6 milhões adicionais no CRI Guestier Harmonis, remunerado a IPCA mais 12% ao ano; R$ 6,8 milhões no CRI Summus, a IPCA mais 11,50% ao ano; e R$ 10 milhões no CRI Evoke, a CDI mais 4,50% ao ano. As taxas indicam a remuneração contratada em relação ao índice de referência de cada operação.

Como evento posterior ao fechamento de setembro, a gestão informou ter adquirido R$ 36 milhões em créditos do CRI OAD Makai Campeche na primeira semana de outubro. A operação prevê remuneração de CDI mais 5% ao ano. O fundo também terminou setembro com R$ 48,1 milhões em operações compromissadas reversas, remuneradas a CDI mais 0,71% ao ano e com vencimento em dezembro de 2026.

Segundo a gestão, a maior parte dos CRIs da carteira permanece adimplente. O relatório também detalha operações com provisão para devedores duvidosos (PDD), que seguem sob acompanhamento. A PDD é uma provisão relacionada à possibilidade de não recebimento de valores devidos.

O fundo monitora ainda operações de crédito que têm a Gafisa como devedora. A gestão afirmou que, até o momento, não identificou problemas para o VRTA11 relacionados à liquidez ou aos pagamentos dessas operações. O relatório diz que a situação continuará sendo acompanhada e que mudanças relevantes serão comunicadas aos cotistas.

Para os próximos meses, há três operações em análise, com potencial de somar R$ 70 milhões. A conclusão dessas alocações e a evolução dos indicadores econômicos estão entre os fatores que podem influenciar os resultados e a manutenção das distribuições projetadas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Café recua no Vietnã antes do pico da colheita, enquanto prêmios sobem na Indonésia

Os preços do café no Vietnã caíram nesta quinta-feira (29), antes do pico da colheita, enquanto as cotações globais...

Quem leu, também se interessou