A BB Seguridade (BBSE3) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado na terça-feira (3), superou a estimativa de R$ 2,2 bilhões do consenso de analistas consultados pela LSEG, mas a companhia reduziu sua projeção para os prêmios emitidos pela Brasilseg em 2026. A revisão aumentou a cautela de analistas sobre a recuperação da operação de seguros e os resultados dos próximos anos.
Na comparação com o segundo trimestre, o lucro avançou 13%. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a holding lucrou R$ 6,804 bilhões, praticamente o mesmo resultado registrado no intervalo equivalente do ano anterior. A diferença entre o desempenho trimestral e a perspectiva para o negócio de seguros está no centro das avaliações sobre a companhia.
Brasilseg e corretora pressionam o resultado
A queda anual do lucro, de R$ 129,8 milhões, foi atribuída principalmente aos resultados da Brasilseg e da BB Corretora. A contribuição da seguradora para o lucro da holding diminuiu R$ 101,2 milhões, influenciada pela redução dos prêmios ganhos, pelo aumento do índice combinado e pelo desempenho financeiro. O índice combinado é um indicador que reúne custos e despesas da operação de seguros em relação aos prêmios ganhos.
A BB Corretora, responsável pela distribuição de seguros e títulos de capitalização, teve redução de R$ 58,9 milhões em sua contribuição. As perdas foram parcialmente compensadas pelo resultado financeiro da holding, que subiu de R$ 49,6 milhões para R$ 111,8 milhões em um ano, alta de 125,3%.
A Brasilprev também ajudou a limitar a retração. Sua contribuição ficou praticamente estável em relação ao terceiro trimestre de 2025 e mais que dobrou na comparação com o trimestre anterior.
O principal sinal de alerta operacional veio da Brasilseg, que registrou queda de 19% nos prêmios emitidos no trimestre. Esse indicador corresponde aos valores das apólices comercializadas. A BB Seguridade agora projeta que o total de prêmios emitidos pela seguradora recue entre 11% e 15% em 2026. Antes, a estimativa variava de uma queda de 3% a um crescimento de 2%.
Projeções menores alimentam cautela
A revisão reflete a fraqueza em segmentos como rural, prestamista e vida. Nos nove primeiros meses do ano, os prêmios emitidos pela Brasilseg caíram 9,2%. No terceiro trimestre, o recuo foi de 24,3% no seguro rural, de 26,9% no prestamista e de 8,9% no segmento de vida. O seguro residencial teve trajetória oposta e avançou 28,6%.
O BTG Pactual avaliou que o lucro trimestral superou as expectativas, mas que os indicadores operacionais apontam para um cenário mais difícil. Para o banco, a redução dos prêmios pode afetar os lucros de 2027 e 2028, porque seus efeitos não aparecem integralmente nas receitas de imediato.
O Itaú BBA também considerou a revisão das projeções mais relevante para as perspectivas da empresa do que a surpresa positiva no lucro, que recebeu apoio do resultado financeiro. O Safra afirmou que a desaceleração comercial ainda não foi totalmente refletida nos números. Embora juros elevados possam favorecer as receitas financeiras, o banco avalia que esse efeito não elimina os riscos da operação de seguros.
Recomendações e perspectivas para as ações
As avaliações das instituições se refletem nas recomendações para BBSE3. O Itaú BBA manteve recomendação underperform, que indica expectativa de desempenho abaixo da média do mercado, e preço-alvo de R$ 32 para 2027. Considerando o fechamento de R$ 40,79 na terça-feira (3), esse valor corresponde a um potencial de queda de aproximadamente 21,5%.
O Safra também recomenda desempenho abaixo da média, com preço-alvo de R$ 39, o que representa desvalorização potencial de 4,4% em relação ao fechamento citado. O BTG Pactual manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 40, próximo da cotação da ação.
O pagamento de dividendos segue entre os pontos considerados atrativos pelos analistas. O BTG estima um retorno em dividendos, ou dividend yield, próximo de 9,5% para 2027; o Itaú BBA projeta cerca de 9,8%. Essas projeções não garantem o pagamento: o rendimento efetivo dependerá dos resultados futuros, das decisões de distribuição e do preço das ações.
Para as instituições, a companhia precisa demonstrar que consegue recuperar o crescimento da operação de seguros. Até que isso ocorra, a queda dos prêmios e a dependência de uma contribuição maior do resultado financeiro permanecem entre os fatores de atenção para os próximos trimestres.

